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Tensão comercial entre EUA e China pressiona cotações

O acirramento da guerra comercial entre Estados Unidos e China, além de resultados não muito animadores da economia europeia e americana no mês passado, fizeram os preços do minério de ferro e do barril de petróleo recuarem no comparativo com julho. A queda mais expressiva foi do minério com 27,73%, fechando em US$ 84,66 no porto chinês de Qingdao. Já no barril do Brent o decréscimo foi de 8% em agosto, sendo negociado a cerca de US$ 60.
Segundo Gustavo Allevato, analista do Santander, no caso da cotação do minério de ferro a correção no preço foi mais forte no mês passado do que outras commodities. Isso porque, após a tragédia de Brumadinho (MG), a sua cotação chegou a atingir os US$ 125 a tonelada.
“A correção principal do minério já aconteceu. Acredito que o patamar de US$ 80 a tonelada é sustentável.” No ano, no entanto, a valorização do preço do minério é de 16,40%. Os preços se referem à tonelada da commodity com teor de pureza de 62%.
De acordo com a publicação especializada “Fastmarkets MB”, analistas
acreditam que o aumento repentino na atividade comercial resulta de notícias de que a China não pretende intensificar a guerra comercial com os Estados Unidos.
Agências de notícias chinesas informaram, ainda segundo a “Fastmarkets MB”, que autoridades daquele país estavam “dispostas a negociar e a colaborar para resolver o problema com uma atitude calma”.
Em relatório, o banco de investimentos UBS estima que os preços do minério de ferro nos portos chineses devem voltar ao patamar dos US$ 90 no quarto trimestre, ante os atuais US$ 81,45 por tonelada, informou o Dow Jones.
Segundo o banco, apesar do atual aumento da oferta e da demanda fraca, o mercado continua enfrentando escassez de matéria prima. Para tentar definir a tendência do mercado, os traders estão “focados na estabilização dos estoques de minério de ferro existentes nos portos chineses.”
A instituição financeira acrescentou que a produção de aço deve ter atingido seu pico, mas qualquer novo estímulo econômico do governo chinês irá para setores intensivos em aço, o que irá beneficiar o minério de ferro.
No caso do petróleo tipo Brent, considerado referência mundial, a estimativa é de ligeira alta no último trimestre do ano, de acordo com a Tendências Consultoria. A entidade trabalha com projeção do preço do barril a US$ 62,50.
O mês de agosto fechou com uma queda de US$ 4 no preço do barril do Brent, cotado na sexta-feira a US$ 60,43. Esse recuo no comparativo com o mês anterior pode ser explicado pelo aumento da tensão da guerra comercial entre Estados Unidos e China, além de indicadores econômicos mais fracos na Europa e nos EUA.
“A política de corte implementada pela Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) ajudou a manter o preço nesse patamar, porque, a queda poderia ter sido maior”, disse o analista de energia da Tendências, Walter de Vitto.
A expectativa para o ano que vem, de acordo com Vitto, é de que o ritmo de queda deve ser retomado, com a volta da produção dos países da Opep e, com isso, aumento da pressão na oferta. A projeção é de uma cotação de US$ 57,50 no fim do primeiro trimestre de 2020. “A não ser que outra medida seja tomada”, afirmou Vitto.

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