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Tensão comercial ameaça afetar investimento externo

O fluxo global de investimento estrangeiro direto (IED) caiu 13% em 2018, no terceiro ano consecutivo de queda. As tensões comerciais podem continuar a pesar sobre os investimentos neste ano e nos próximos, diz a Agência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad).
No documento World Investment Report, a entidade informa que o fluxo global de IED foi de US$ 1,3 trilhão em 2018 – US$ 200 bilhões a menos que no ano anterior. Uma modesta retomada no fluxo em 2019 depende da evolução do PIB global. Organizações internacionais vêm insistindo que as incertezas no contexto atual são inimigas dos investimentos, o que, por sua vez, faz o nível de produção, emprego e demanda cair.
Diante das hesitações das empresas, a Unctad constata que a concorrência internacional para atrair investimento estrangeiro está multiplicando o número de zonas econômicas especiais no mundo. Com essas zonas, os países prometem redução de impostos e regulamentações simplificadas. A mão de obra também pode ser mais barata nessas zonas especiais, com menos direitos trabalhistas.
A contração de IED em 2018 foi menor do que os 19% que a Unctad previa em janeiro. A nova queda se explica pelo fato de as multinacionais dos EUA terem repatriado seus lucros para se beneficiar da reforma tributária que o governo Trump aprovou no final de 2017, justamente com o objetivo de trazer o dinheiro de volta para casa.
Os países mais atingidos foram os desenvolvidos, com contração de 27% nos fluxos de IED. O montante de investimento estrangeiro para a Europa caiu pela metade, para US$ 172 bilhões, o menor resultado em 15 anos.
Já a Ásia recebeu US$ 512 bilhões – uma alta de 3,9%. A região atraiu 39% do fluxo global de investimentos internacionais. A China continua a ser o maior destino entre os países em desenvolvimento, com US$ 139 bilhões. Isso mostra que, apesar das tensões comerciais e abalos nas cadeias de valor, os investidores continuam a ver a China como inevitável e precisam ter presença no país, que é um dos maiores mercados do mundo.
O relatório mostra ainda que o número de zonas econômicas especiais não para de crescer. Hoje são 5.400, ante as 4.000 de cinco anos atrás, em 145 países. Outras 500 estão sendo planejadas. Os países que tem mais essas zonas são China, com 2.543, Filipinas, com 528, Índia, com 373, e EUA, com 262. O Brasil tem 32, e a América Latina tem 500 no total.
Essas zonas atraem hoje não apenas indústrias, mas também setores de alta tecnologia, serviços financeiros e turismo. Mas, para cada projeto bem sucedido, há numerosas zonas especiais que não atraíram os investimentos planejados, resultando em prejuízos enormes, segundo a Unctad.
A expectativa é que os fluxos de IED voltem a crescer em 2019 em direção a países desenvolvidos, uma vez dissipados os efeitos da reforma tributária dos EUA.
Os anúncios de investimentos de criação de capacidades estão em alta. Mas a tendência de crescimento de IED é fraca, segundo a Unctad, em razão dos riscos geopolíticos, piora das tensões comerciais e adoção de medidas protecionistas em escala mundial.
“A tendência à estagnação que marca a década ocorre por uma série de fatores, como a baixa [taxa de] retorno de IED, a multiplicação das formas de investimentos que necessitam poucos ativos e a existência de um quadro geralmente menos propício ao investimento”, diz Jamez Zhan, diretor da divisão de investimentos da Unctad.

https://www.valor.com.br/internacional/6304507/tensao-comercial-ameaca-afetar-investimento-externo#

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