Notícias falsas põem Google e Facebook em xeque

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O Facebook e o Google estão enfrentando novas críticas por ter falhado em segurar a onda de notícias falsas relacionadas ao massacre ocorrido em Las Vegas, revelando erros em seus algoritmos.

Na segunda-feira pela manhã, as duas empresas dominantes na internet ajudaram a divulgar relatos que identificavam erroneamente um homem com fortes tendências políticas de esquerda como estando conectado ao tiroteio [que matou 59 pessoas e feriu mais de 500].

Os relatos circularam em sites de notícias ligados à direita antes de serem captados pelos sistemas automáticos do Facebook e do Google,  como mostrou matéria do Financial Times , assinada por Richard Waters, publicada no Valor de 5/10.

As duas empresas destacaram que os problemas não duraram muito tempo e que trabalham para consertar as falhas, mas ainda assim ficaram expostas a uma nova saraivada de críticas por não fazer o suficiente para impedir a disseminação de informações falsas e prejudiciais.

“Há uma maneira – o fato é que eles não têm a vontade”, disse Scott Galloway, professor de marketing da Universidade de Nova York e autor de “The Four” (“As quatro”, em tradução livre), um novo livro sobre Amazon, Apple, Facebook e Google. Ele disse que as recentes contratações de mais funcionários para identificar e remover informações falsas são muito limitadas para ter impacto.

Para o Facebook, que já enfrenta pressões políticas pelo uso de sua rede por agentes russos durante a mais recente eleição presidencial nos Estados Unidos, o novo deslize chega em um momento complicado. As informações falsas, disseminadas por um site chamado Alt-Right, apareceram na página “check-in de segurança” do Facebook, que as pessoas usam para avisar amigos e familiares de que estão seguras depois de algum desastre ou incidente de risco.

O Facebook informou que a postagem irregular foi detectada por seu centro internacional de operações de segurança, mas que “sua remoção foi adiada por alguns minutos”. Nesse meio tempo, as informações foram “capturadas na tela e circularam on-line”.

A empresa não explicou como seus algoritmos permitiram que as informações falsas fossem veiculadas. “Estamos trabalhando para consertar o problema que permitiu que isso acontecesse em primeiro lugar e sentimos profundamente a confusão que isso causou”, informou a companhia.

No caso do Google, a busca pelo nome do homem falsamente acusado dos tiroteios trazia uma página de resultados encabeçados por três caixas em destaque rotuladas de “principais notícias”. Umas delas era do site 4Chan, conhecido por ser usado para trotes on-line e para transmitir informações enganosas.

As “principais notícias” do Google são extraídas de seu próprio serviço de notícias, que tem certo grau de seleção, e de uma busca geral na internet. O resultado do 4Chan foi extraído da internet.

O Facebook removeu manualmente as informações, enquanto o Google comunicou ter “substituído algoritmicamente” a veiculação do 4Chan e que isso levou “horas” desde o momento da primeira aparição. “Isso não deveria ter aparecido em quaisquer buscas e vamos continuar a fazer melhoras nos algoritmos para evitar que isso aconteça no futuro”, destacou o Google.

O Twitter também foi criticado na segunda-feira, depois de um usuário ter divulgado uma captura de tela de uma busca que mostrava como resultado principal uma postagem do Inforwars, um site frequentemente criticado por alimentar teorias da conspiração.

O Twitter não conseguiu precisar quantos usuários viram o resultado da busca, mas ressaltou que, em razão da personalização de seu sistema, pessoas fazendo a mesma busca muitas vezes recebem resultados diferentes.

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