Indústria do óleo se reinventa para lucrar com barril barato

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Aberdeen, cidade escocesa portuária construída com o granito do mar do Norte, sofreu abalos nos últimos anos. A queda nos preços do petróleo atingiu o setor petroleiro, que domina a economia local. Dezenas de milhares perderam seus empregos. Projetos avaliados em bilhões de dólares foram cancelados.
Executivos do setor agora começam a falar com alívio que lembra o dos sobreviventes de uma feroz tempestade.
“Sinto-me bem a respeito do mar do Norte, para dizer a verdade”, afirmou Mark Thomas, presidente regional da petroleira BP no mar do Norte, em entrevista no escritório da empresa em Aberdeen.
“É uma situação perceptivelmente diferente da que tínhamos alguns anos atrás.”
O clima mais otimista mascara o percurso difícil que o setor de energia vem trilhando em todo o mundo, como mostrou artigo do The New York Times, assinada por Andrew Yesta, publicado na Folha de S. Paulo de 06/08.
Quando o preço do petróleo caiu, o setor começou os ajustes. Inicialmente, aplicou táticas conhecidas: cortar emprego e investimento.
Mas depois as empresas perceberam que teriam de ir além e promoveram uma reorganização ampla de seus negócios, com o objetivo de incorporar novas tecnologias e métodos de construção, para extrair o maior valor possível de cada dólar gasto.
O sucesso da estratégia foi confirmado nos últimos dias, quando gigantes como Chevron, ExxonMobil, Royal Dutch Shell e Total divulgaram resultados financeiros muito mais animadores.
As empresas calculam que o nível de preços atuais provavelmente persistirá (na casa dos US$ 50 o barril) e que o petróleo a US$ 100, que caracterizava o mercado alguns atrás, foi uma “grande aberração”, como disse Daniel Yergin, historiador do setor.
“Ninguém está esperando que os preços aumentem substancialmente”, disse Yergin. “O setor está no meio de uma reengenharia que permitirá permanece no valor de US$ 50 por barril.”
Muitas empresas adotaram medidas para simplificar a construção de plataformas e outros itens de alto custo.
Em uma era de preços mais altos para o petróleo, as companhias carregavam seus locais de produção de equipamento adicional, produzido sob medida e dispendioso.
Mas agora elas estão avançando com projetos mais enxutos e componentes e desenhos padronizados, com o objetivo de reduzir custos.
A BP, por exemplo, suspendeu um projeto de US$ 20 bilhões no golfo do México e decidiu reestudá-lo.
Em lugar de uma plataforma gigantesca e especialmente construída, os engenheiros usaram um aparato menor, similar ao empregado em outro campo, e reduziram em um terço o número de poços. Quando o projeto foi aprovado de novo, em 2016, o custo caiu para US$ 9 bilhões.
As empresas também estão usando videoconferências e contatos via streaming, em lugar de enviar funcionários para reuniões.
A corrida para cortar fortemente as despesas já começou a produzir resultados.
Em 2015, para que as empresas equilibrassem despesas e receita, precisavam de um preço de US$ 97 por barril, diz Biraj Borkhataria, analista da RBC Capital Markets.
O preço requerido caiu a US$ 55, pouco acima do preço atual -o barril em julho valeu, em média, US$ 52.
A despeito do progresso, ainda há grandes desafios.
Em curto prazo, as empresas petroleiras tradicionais devem enfrentar de novo a concorrência do petróleo de xisto extraído nos EUA, que não só é abundante como seus custos de extração estão em declínio.
E, em prazo mais longo, fontes de energia mais limpas, como a eólica e a solar, estão se tornando mais competitivas diante do petróleo e do gás natural.

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