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G­20 deve se comprometer com ações para retomar crescimento

Em meio a tensões comerciais e geopolíticas, os ministros de Finanças e presidentes de bancos centrais das maiores economias desenvolvidas e emergentes, que formam o G-20, deverão neste domingo se comprometer com ação para retomar o crescimento da economia mundial em 2020, na reunião em Fukuoka.
No comunicado que está em negociação em Fukuoka, os países do G-20 se engajam em usar todos os instrumentos de política econômica, como fiscal, monetária e reformas estruturais, para assegurar uma expansão mais sólida da economia global. É algo que já foi dito no passado, mas que toma outra dimensão no cenário atual.
Logo no primeiro parágrafo do documento, os países avaliam que a economia global está com desempenho abaixo do esperado a partir do fim do ano passado e começo deste ano. Fatores como tensões comerciais e geopolíticas criam incerteza na economia. A expectativa é que essas tensões tendem a se dissipar ao longo do ano e a economia volte a crescer no segundo semestre e no ano que vem.
A menção à tensão comercial, referindo-se aos EUA e à China, como um risco global dificilmente permanecerá na versão final do documento, acreditam algumas fontes, diante da oposição dos americanos quando se trata de questões comerciais.
Depois de receber algumas autoridades monetárias e grandes banqueiros internacionais, num encontro focando a agenda do G-20 sob a presidência japonesa, o presidente do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), Tim Adams, foi questionado pelo Valor sobre qual resposta o setor financeiro esperava dos bancos centrais.
“Acho que vamos continuar a ouvir dos presidentes dos BCs que eles estão prontos a fazer o que for preciso para assegurar um crescimento sustentável da economia mundial”, afirmou. Notou que a postura de vários bancos centrais mudou nos últimos seis meses, agora de novo acenando com políticas mais acomodatícias. De um lado, muitas grandes economias estão quase com pleno emprego. Mas o crescimento econômico continua abaixo do potencial.
Também a Organização Mundial do Comércio (OMC) espera contar com um empurrão dos BCs. O economista-chefe da entidade, Robert Koopman, observou que o comércio internacional está mais fraco do que o esperado, no rastro das tensões entre EUA e China.
A OMC reduziu em abril de 3% para 2,6% a projeção de crescimento do comércio global neste ano. Koopman admitiu que, pelo ritmo das trocas no primeiro e no segundo trimestre, uma nova revisão para baixo é muito provável. Mas acha que uma melhora pode vir no ano que vem se bancos centrais reduzirem os juros e se políticas fiscais estimularem a economia. “Muito depende do PIB mundial. Se cresce, o comércio também cresce”, afirmou.
Em debate organizado pelo IIF, o presidente do UBS, Axel Weber, e o presidente e CEO do Goldman Sachs, John Waldron, alertaram que os mercados estão exagerando (“overpricing”) na aposta do tamanho de corte de juro que o Federal Reserve (o banco central dos EUA) pode fazer. Nos últimos dias, mais analistas disseram ver 70% de chances de o Fed fazer quatro cortes de 0,25 ponto percentual até o fim de 2020 para evitar uma recessão nos Estados Unidos.
Para Weber, declarações de líderes do Fed não apontam para um corte iminente de juros. Ele afirma que se os dados da economia mostrarem mais fragilidade no segundo semestre, o Fed pode agir em seguida, em todo caso.
Na mesma linha, o CEO do Goldman se declarou ligeiramente inquieto de que o mercado esteja muito otimista sobre o movimento logo do Fed e o tamanho de eventual corte de juro.
Outro palestrante, Martin Gilbert, da empresa de investimentos britânica Standard Life Aberdeen, concordou com a avaliação de que as tensões comerciais entre os EUA e a China vão prosseguir.
Um encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping no fim do mês no G-20, em Osaka, pode nem trazer nova trégua. Alguns analistas estimaram que as tensões comerciais tampouco serão resolvidas depois da eleição presidencial de 2020 nos Estados Unidos.

https://www.valor.com.br/financas/6296123/g-20-deve-se-comprometer-com-acoes-para-retomar-crescimento-global#

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