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Cinemas boicotam filme do Netflix

O modelo de negócios balançou. O primeiro filme com produção original da Netflix, um brutal drama de guerra a respeito de crianças usadas como soldados na África Ocidental, deu novo fôlego a uma batalha diferente nos EUA, colocando a gigante dos serviços de vídeo por streaming contra os cinemas americanos na disputa por definir como vamos assistir filmes no futuro.

Beasts of No Nation, título celebrado em festivais e estrelado pelo ator Idris Elba, vai estrear tanto na Netflix como em alguns cinemas na próxima sexta-feira, dentro de um acordo revolucionário da Netflix, que espera ser capaz de atrair o mesmo prestígio a seus filmes da série de TV House of Cards, como mostrou material do The Washington Post, asisnada por Drew Hawell, publciada pelo Estadão de 16/10, pg B12

A estreia no cinema pode marcar a invasão de longo prazo de filmes produzidos internamente pela Netflix, incluindo uma sequência a ser lançada para O Tigre e o Dragão. Contudo, as exibições simultâneas frustraram a ordem natural que protege o antigo controle dos cinemas sobre as estreias de Hollywood. As maiores redes de cinema dos EUA reagiram dizendo que não exibiriam o título em suas telas.

“Os donos de cinemas ficam frustrados quando a Netflix faz grandes pronunciamentos dizendo que vai mudar a indústria”, disse o vice- presidente da Associação Nacional de Proprietários de Cinemas, Patrick Corcoran, entidade que representa as redes. “Não se pode revolucionar a indústria dos cinemas sem trazer junto a indústria do cinema.”

A briga expôs uma disputa de poder cada vez mais amarga entre a nova escola de Hollywood e a velha guarda, conforme os serviços de streaming tentam buscar mais assinantes. Isso provocou atrito com o modelo de controle dos cinemas.

A estreia do filme também pode sinalizar uma mudança mais ampla na forma de concorrência entre gigantes da mídia e da web como Netflix, Hulu e Amazon, reescrevendo algumas das tradições mais antigas: a grande estreia de um título.

“Todos têm muita coisa em jogo e não gostam de mudanças”, disse o diretor de conteúdo do Netflix, Ted Sarandos, em entrevista no ano passado. “Precisamos concorrer pela atenção do consumidor por meio da qualidade da experiência do filme, e não a preciosidade do acesso. A experiência é o mais importante.”

Desde a chegada dos videocassetes nos anos 1980, estúdios e cinemas concordaram com intervalos de 90 dias entre o lançamento dos filmes e sua chegada aos lares, acreditando que um período inferior interferiria na sua principal fonte de lucro: as bilheterias.

“Os cinemas precisam dessa janela, caso contrário aquilo que torna especial a experiência do cinema se perde”, disse o diretor de análise da BoxOffice.com, Phil Contrino, site especializado no setor. “Se o consumidor começa a pensar que talvez não seja necessário ver o filme no cinema, é um perigo. Muitos filmes gastam dinheiro demais para correr esse risco. Eles precisam da lucratividade da janela de exclusividade nos cinemas.”

O modelo tradicional começou a se desmontar conforme os serviços de vídeo e alguns cineastas lutaram para tornar os filmes disponíveis mais rapidamente para públicos cada vez mais famintos por entretenimento sob demanda.

O fato de a Netflix se tornar uma participante agressiva na produção e distribuição não escapou às redes de cinema dos EUA. O que a empresa perderá em bilheteria, porém, deve recuperar em prestígio. Em vez de uma dispensa de sucessos antigos do cinema, ela tenta se mostrar como uma corretora indispensável de entretenimento.

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