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China cresce 7,8% e puxa o consumo mundial de aço

China e Índia vão ser os protagonistas no consumo mundial de aço neste ano. A siderurgia chinesa, em ritmo acelerado de crescimento, deve fechar o ano com 900 milhões de toneladas, enquanto o mercado doméstico indiano deve superar, pela primeira vez, o dos Estados Unidos.
As projeções de curto prazo são da World Steel Association, que divulgou ontem em seu congresso anual, em Monterrey, no México, o documento Short Range Outlook (SRO). Elaborado pelo Comitê Econômico da entidade, o documento é levado a público nos meses de abril e outubro.
A revisão do SRO de abril da Worldsteel mostrou que a demanda interna da China terá alta de 7,8% neste ano, frente a 1% de antes. Isso foi suficiente para o volume dar um salto de 57 milhões de toneladas no total estimado para o país. Ao mesmo tempo, o documento projeta que o consumo local por aço deverá subir 1% no próximo ano. Em abril, a previsão apontava para uma retração de 1%, comparado com 2019.
O crescimento mundial do consumo neste e no próximo ano será impulsionado pelo setor de construção na China. Segundo a entidade, nos sete meses de 2019, o mercado imobiliário chinês registrou o desempenho mais forte dos últimos cinco anos. “Em primeiro lugar, devido ao relaxamento das políticas de controle nas cidades de nível 2 a 4 e, em segundo lugar, ao novo padrão de construção implementado, que entrou em vigor em abril de 2019. Estima-se que tenha aumentado a intensidade de aço em novos edifícios em cerca de 5%”.
Após se tornar, anos atrás, líder global na produção de aço, a China passa a ter o maior volume de consumo de produtos siderúrgicos, conforme o novo SRO. Estão projetadas 900,1 milhões de toneladas (50,7%) neste ano e 909,1 milhões em 2020. O restante do mundo, que vai patinar em 0,2% de crescimento agora e 2,5% no próximo ano, ficará com 874,9 milhões e 896,6 milhões de toneladas, respectivamente.
O consumo de aço no mundo deverá alcançar 1,77 bilhão de toneladas neste ano, um aumento de 3,9%, segundo os novos dados da Worldsteel, que representa produtores de 85% do aço fabricado mundialmente. Para 2020, a projeção é de crescimento de 1,7%, totalizando 1,8 bilhão de toneladas.
Além da China, o crescimento da demanda virá de países em desenvolvimento, principalmente no Sudeste asiático, da Turquia e da Índia. As economias desenvolvidas, e maduras, da União Europeia e a americana vão ficar em padrões de expansão de 1% para baixo.
O mercado da Índia irá a quase 102 milhões de toneladas neste ano e a 108,7 milhões em 2020, indica o SRO. Passará pela primeira vez o volume consumido nos Estados Unidos, que ficará no patamar de 101 milhões de toneladas nos mesmos anos. O consumo indiano cresce a ritmo anual de 5% a 7%.
A demanda interna de aço do Japão vem em decréscimo nos últimos anos, devendo ficar em 64 milhões de toneladas em 2020. A sul-coreana mostra leve reação.
Já o Brasil nem aparece entre os dez maiores do mundo, sendo superado pelo México (25 milhões de toneladas) e pela Turquia, com 27,7 milhões.
Al Remeithi, presidente do Comitê de Economia da Worldsteel, disse que as estimativas sugerem que a demanda global de aço continuará a crescer em 2019, “mais do que esperávamos nesses tempos difíceis, principalmente devido à China. No resto do mundo, a demanda por aço desacelerou em 2019, à medida que
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16/10/2019 China cresce 7,8% e puxa o consumo mundial de aço | Empresas | Valor Econômico
incertezas, tensões comerciais e questões geopolíticas pesavam no investimento e no comércio.”
Segundo o executivo, a manufatura, em especial o setor automobilístico, teve contração na produção em muitos países. Todavia, na construção, apesar de alguma desaceleração, um impulso positivo foi mantido. “Embora a perspectiva econômica global seja altamente imprevisível, esperamos ver um crescimento adicional da demanda de aço em 2020 de 1,7%, com as economias emergentes e em desenvolvimento, excluindo a China, contribuindo mais. Essa previsão enfrenta riscos negativos significativos se o atual nível de incerteza prevalecer”, disse Remeithi.

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