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Remédios para sair da crise

Edmir Kuazaqui

É incontestável a crise econômica, moral, ética e política dos próximos anos no país, porém não devemos nos contaminar sobre seus efeitos negativos e influenciar as nossas ações, mas visualizar como desafio o enfrentamento de forma a superar as previsões negativas. Não se trata de pílulas de autoajuda, mas perceber melhor o mercado ao redor da empresa e deixar de ver somente sob a perspectiva reducionista interna.

Muitas empresas estão preventivamente olhando de dentro para fora, esperando pelo pior e eliminando custos, despesas, investimentos, demitindo colaboradores e, consequentemente, reduzindo o alcance ao seu mercado consumidor. Muito dos esforços estão sendo concentrados para a redução da máquina estrutural e, com isso, temos uma menor preocupação e foco com o consumidor, onde a empresa já parte da perspectiva de que o mercado vai diminuir.

Se você pensar somente na crise, vai potencializá-la. Pense diferente, remodele seu negócio, imagine outras soluções de curto, médio e longo prazo para produzir e vender melhor, ajustando a sua cadeia logística, negociando com os seus fornecedores de matéria-prima e serviços, e até mesmo intensificando o seu relacionamento com o cliente.

Se pensar somente na crise, você vai obrigatoriamente reduzir sua capacidade de comercialização e venda. Pior ainda: algumas empresas usam descaradamente a promoção de vendas e a política de descontos de fora exagerada, onerando seu fluxo de caixa e comprometendo sua margem de lucro, entrando assim, num círculo vicioso.

Existem outras formas de superar esta crise como, por exemplo, procurar novas formas de intensificar o contato e relacionamento com os clientes, por meio de novos canais de comunicação, novas formas de comunicação integrada, distribuição e comercialização.

Como exemplo prático, muitas empresas do setor de alimentação estão realizando compras compartilhadas, no sentido de aumentar o volume de compras e o poder de barganha, reduzindo custos de aquisição de matéria-prima. Por outro lado, estão oferecendo novos combos ou mesmo serviços como delivery, que anteriormente não eram oferecidos. Criaram, inclusive, novos cardápios e opções para consumidores com menor poder de compra. Com isso, além dos clientes, entendem que o aprofundamento dos relacionamentos com os stakeholders são fundamentais, confirmando a importância do Sistema de Valores para qualquer negócio.

Pense preventivamente no mercado, entendendo previamente o comportamento do consumidor e novas formas de seduzi-lo. Por vezes, a empresa pode prestar um ótimo atendimento sem, contudo, um conjunto de ações que vise registrar seu cliente e trazê-lo de volta. Volte para o corpo-a-corpo, saia de seu escritório e ouça e fale com o seu cliente.

Em síntese, momentos de prosperidade econômica conduzem a pensamentos, ideias e comportamentos positivos. O oposto é verdadeiro: em épocas de crise, as empresas e pessoas tendem a tentar se ajustar ao que acredita ser a sua mais confortável situação, diminuindo e eliminando seus custos, despesas e investimentos. Nas duas situações, o papel da gestão e da governança corporativa é preponderante para que os processos de transição ocorram da forma mais efetiva e tranquila, de forma a manter, desafiar e superar as flutuações do mercado.

Por outro lado, de nada adianta o sentimento pessimista para recrudescer a economia e sair da crise. Você pensou na crise quando abriu o seu próprio negócio? A sua orientação foi essencialmente para o sucesso de seu negócio, onde o resultado final foi maior que a própria soma de todos os seus esforços individuais.

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