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Meu Amigo Hindu (Dir.: Hector Babenco Brasil, 2015)

Eduardo Benzatti

“Meu amigo hindu” (do diretor argentino/brasileiro Hector Babenco) é um filme biografia muito irregular. De positivo, a atuação (sempre ótima) de Willem Dafoe (que faz o alter ego do diretor, o cineasta Diogo). Dafoe vai conduzir o espectador a uma jornada Dantesca – que começa no inferno de um tratamento (doloridíssimo) de leucemia, passando pelo purgatório de uma vida sem projetos, sem afeto e sem sexo, até o paraíso de encontrar um novo amor. E tudo isso com aquela interpretação visceral desse grande ator.

A fotografia de uma cidade de São Paulo noturna também é muito bonita – como a nossa cidade tão feia se presta a isso? Outro aspecto positivo é… (não lembro outro!). Agora, vamos aos aspectos negativos: o roteiro é muito linear e duro – com poucas aberturas para o imaginário, para o delírio, para a poesia (e quando esses momentos aparecem são pontos luminosos: o cineasta Diogo brincando de guerra com o tal amigo hindu do título ou quando seu novo amor (Bárbara Paz no papel dela mesmo) interpreta – numa exibição particular para Diogo – a cena clássica de Gene Kelly em “Cantando na chuva” (quero bis!)).

Agora nada é mais terrível do que você colocar atores e atrizes brasileiras para falar (e interpretar) em inglês (acho que o filme é para exportação: feito para ser exibido no circuito mundial com mais aceitação, daí ser todo falado em inglês). A sensação é que a fala e a entonação – muitas e muitas vezes – não se adéqua aos movimentos e expressões – mesmo a boa atriz Maria Fernanda Cândido parece atuar assim (sem “naturalismo”) em vários momentos (muito fake).

Enfim, vale por Dafoe onipresente na tela. Se você acha pouco, não veja no cinema, espere passar na tv a cabo.

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