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Boi Neon (Dir.: Gabriel Mascaro. Brasil, Uruguai e Holanda, 2015)

Eduardo Benzatti

“Boi Neon” (direção e roteiro de Gabriel Mascaro) é um filme sobre corpos: corpos de homens, de mulheres. Corpos de plástico (manequins). Corpo de criança e de velhos. Corpos de animais: bois e cavalos. Corpo gerando outro corpo. Corpos bonitos e sedutores. Corpos deformados. E esses corpos ou estão em frenéticos movimentos (correndo, transando – há mais de uma cena de sexo “quase” explícito) ou estão inertes (descansando). Todos fotografados de forma esplendida. Só por isso já seria um filme sensível. Mas, tem mais… Trata-se da história de uma “equipe” que trabalha em “vaquejadas” – uma atividade recreativa, típica do Nordeste brasileiro, onde dois vaqueiros alinhados procuram derrubar um boi (segurando no seu rabo) num espaço delimitado de uma arena – sem se preocupar se o pobre animal vai perder ou não parte do rabo ou vai fraturar um osso na queda.

A equipe mambembe é formada por três homens e duas mulheres – sendo uma a mãe da outra. Em outras palavras: uma mãe que dirige o caminhão e foi abandonada pelo marido; a menina – muito esperta, falante e carente de afeto; e três peões, cujo principal personagem é um deles: Iremar (Juliano Cazarré, numa ótima interpretação).

Um peão que deseja ser estilista num Polo de Confecção – até uma marca própria o cara já criou. Por isso passa o seu tempo entre preparar o rabo dos bichos (leia-se: passar a cal neles) para os vaqueiros derrubarem os animais com mais facilidade e pensando, desenhando ou costurando as suas criações que estão mais para o Brasil Bacana do Litoral do que para o Brasil Esquecido do Agreste.

Um dos truques do filme está nesse choque: um peão rústico – que não é afeminado em nenhum sentido – se interessa por uma atividade tão ligada – no nosso imaginário – ao universo feminino (A femea dirige e conserta o caminhão; o macho costura e passa roupa).

A fotografia é lindíssima – o cenário, com suas paisagens ajuda muito; os diálogos são deliciosos – tanto o sotaque, quanto as expressões usadas; e o tempo das cenas é o tempo de um mundo ainda essencialmente agrário (em certo sentido, primitivo) em contraposição às tentativas de elementos da modernidade se fixarem: neon, motos, leilões com música tecnopop, máquinas de costurar portátil, chapinhas, programas de computador e etc e tal. “Boi Neon” está muito além das comediazinhas bobinhas que lotam as salas do nosso cinema.

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