facebook_celular

Soluções vão levar anos, afirma Zuckerberg

O Facebook vai levar alguns anos para resolver questões levantadas pelo escândalo do vazamento de dados de usuários da rede social, disse Mark Zuckerberg, cofundador e CEO da companhia, em entrevista ao site Vox. “Acho que vamos cavar esse buraco, mas vai demorar alguns anos. Eu gostaria de poder resolver todos esses problemas em três meses ou seis meses, mas acho que a realidade é que resolver algumas dessas questões levará um período de tempo mais longo”, disse Zuckerberg ao jornalista Ezra Klein. A conversa foi publicada ontem.
Desde que o caso veio a público, em meados de março, o Facebook perdeu USS$ 100 bilhões em valor de mercado e passou a enfrentar a desconfiança de usuários e legisladores em vários países. A crise começou quando se soube que uma consultoria política, a britânica Cambridge Analytica, teve acesso a informações de 50 milhões de usuários do Facebook, depois que 270 mil deles baixaram um aplicativo permitindo o acesso aos dados de suas redes de amigos.
Zuckerberg admitiu não ter investido o suficiente para prevenir riscos relacionados à segurança de dados, mas defendeu as reações do Facebook. “Acho que fomos lentos demais em investir o suficiente nisso. Não é que não fizemos nada. Quer dizer, no início do ano, acho que tínhamos 10 mil pessoas trabalhando em segurança. Mas no fim deste ano, vamos ter 20 mil pessoas.”
Grande parte dos problemas do Facebook pode ser creditada ao modelo de negócios da companhia: vender publicidade para sustentar uma rede social de uso gratuito para os internautas.
Na avaliação de Zuckerberg, porém, esse é o único “modelo racional” para bancar o que a empresa se propõe a fazer. “A realidade é que se você quer construir um serviço que ajuda a conectar todas as pessoas no mundo, então terá muita gente que não pode pagar por isso. Assim, como grande parte da mídia, ter um modelo suportado por publicidade é o único que pode ajudar na construção desse serviço”, acrescentou.
Ele rebateu ainda afirmações do presidente da Apple, Tim Cook, sobre o assunto. Na semana passada, perguntado sobre o que faria caso estivesse no lugar de Zuckerberg, Cook disse que nunca se colocaria em uma situação dessas porque a Apple vende produtos para consumidores e não seus consumidores para anunciantes – um modelo de negócios que não daria brecha para esse tipo de situação.
O fundador do Facebook disse, na entrevista ao site Vox, que soa ridículo que empresas que trabalham para cobrar mais dos consumidores tentem convencer as pessoas que estão mais preocupadas com elas do que outras companhias.
Zuckerberg disse que o argumento de Cook é simplista e “não alinhado com a verdade”. “Eu acho que, provavelmente para frustração da nossa equipe comercial, eu tomo todas as nossas decisões baseado no que vai importar para a nossa comunidade e me foco muito menos no lado de publicidade do negócio”, disse.
O empresário abordou ainda possíveis melhorias no sistema de exclusão de textos postados na rede social. Quando uma mensagem considerada discriminatória ou de contexto extremista é sinalizada no Facebook, as equipes de moderação da companhia avaliam o material e decidem se ele deve ser retirado do ar, ou não, baseado nas regras dos serviço.
Para Zuckerberg, uma nova instância de avaliação precisa ser criada para que as pessoas possam recorrer das decisões. “Eu acredito que em todo sistema democrático que funciona bem deve haver uma forma de apelação. E acho que podemos criar isso internamente como um primeiro passo”, disse o empresário. Na visão de Zuckerberg, essa estrutura seria uma espécie de Corte Suprema, composta por pessoas independentes que não trabalham para o Facebook, que tomam a decisão final sobre o que deve ser um “discurso aceitável em uma comunidade que reflete as normas sociais e os valores de pessoas ao redor de todo o mundo”. Ele não deu um prazo, ou detalhes de como isso pode ser feito.
Para ele, essa é uma das medidas necessárias para criar uma estrutura de governança que reflita o que a comunidade quer no longo prazo, e não o que investidores de curto prazo possam querer. Pela estrutura do Facebook, o controle da companhia está nas mãos de Zuckerberg, e não pulverizado. Para ele, isso é importante porque lhe dá capacidade de pensar no longo prazo. Ao mesmo tempo, o modelo, pouco comum nos Estados Unidos, é alvo de críticas por reduzir a transparência e a alternância de comando.
De acordo com Zuckerberg, a parte da transparência precisa ser melhor trabalhada pela empresa. “No momento, não acho que somos transparentes o suficiente em relação à importância de algumas questões na plataforma e sobre o trabalho que estamos fazendo, como estamos lidando com essas coisas ao longo do tempo”, disse.

http://www.valor.com.br/empresas/5424587/solucoes-vao-levar-anos-afirma-zuckerberg#

Comentários estão desabilitados para essa publicação