Sobre mulheres e motos na Arábia Saudita

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Desde que se tornou o governante de facto da Arábia Saudita, no ano passado, o príncipe herdeiro, Mohamed bin Salman, tem feito incontáveis investidas para modernizar o país, conhecido por suas severas restrições à participação feminina na sociedade. “Não éramos assim. Queremos voltar a ser um Islã moderado”, disse Salman, no ano passado. 
Na sexta-feira, dia 4, Salman deu um dos mais radicais passos nesta direção. Ele lançou um programa que prevê o fim da separação entre gêneros nos lugares públicos. Na Arábia Saudita, homens e mulheres ficam em lugares separados e só dividem espaços comuns em casa.
O programa de reformas, chamado “Qualidade de Vida 2020”, tem 234 páginas e propõe acabar com a separação das famílias em lugares de lazer “para promover a coesão social e melhorar o estilo de vida dos indivíduos e das famílias”.
Uma das principais mudanças começa em junho: as mulheres vão poder dirigir após décadas de proibição. Elas terão permissão para dirigir motos, vans e caminhões, além de carros. 
É um passo histórico, dizem ativistas do sexo feminino, mas destacam que a Arábia Saudita continua sendo um dos países mais restritivos do mundo para as mulheres. Sob um sistema conhecido como “tutela”, as mulheres não podem se casar ou viajar sem a permissão de um parente do sexo masculino.
Muitas afirmam que sofrem intimidação de autoridades sauditas em razão da campanha que fizeram pelo direito de dirigir. Além disso, faltam escolas de direção para mulheres e o alto custo das aulas impede que muitas possam dirigir. 
Em Riad, a capital saudita, Hanan Abdulrahman é uma das primeiras a fazer aulas de moto. Quando a noite cai, ela sobe em sua motocicleta Suzuki preta nos arredores de Riad e faz um ziguezague entre cones de trânsito no circuito montado para treinar aspirantes a motociclistas. A mulher de 31 anos tem uma palavra para isso: “Liberdade”.
Na pista, Abdulrahman e a colega, Leen Tinawi, uma jordaniana de 19 anos nascida e criada na Arábia Saudita, estão focadas na tarefa. “Meus amigos acham que sou louca”, disse Abdulrahman. As duas mulheres usam equipamento de proteção e camisetas da Harley Davidson. Neste espaço privado, elas estão livres para se vestir como quiserem, mas ninguém tem certeza de qual será a exigência nas ruas sauditas. 
Na escola de motociclismo, cerca de 70 mulheres se inscreveram para as aulas, mas apenas três apareceram. Algumas pagaram a taxa de 1.500 riads (US$ 400), mas não compareceram. “Talvez suas famílias sejam contra”, disse a ucraniana Elena Bukaryeva Bukaryeva, instrutora e esposa do dono da escola. Abdulrahman disse que sua família tem apoiado, mas ela não fala sobre dirigir, muito menos andar de moto, com os colegas de trabalho.

http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,na-arabia-saudita-mulheres-aprendem-a-andar-de-moto,70002295315

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