Census Bureau

Renda familiar cresce nos EUA, mas desigualdade continua piorando

A renda das famílias americanas cresceu em 2017 pelo terceiro ano seguido e a taxa de pobreza caiu como resultado de um forte ritmo de geração de empregos na maior economia do mundo. Mas a desigualdade piorou, em termos de raça, gênero e distribuição de renda.
A renda familiar mediana, ajustada pela inflação, subiu 1,8% no ano passado, para US$ 61.372, de US$ 60.309 em 2016, segundo dados anuais sobre renda e pobreza do Census Bureau, divulgados ontem. O nível praticamente coincide com as máximas de 1999 e 2007, quando contabiliza as mudanças na pesquisa, de acordo com a agência, embora seja o menor ganho em três anos. A taxa de pobreza caiu 0,4 ponto percentual para o menor percentual em 11 anos, de 12,3%, com 39,7 milhões de pessoas vivendo na pobreza.
A melhora no cenário geral da renda contrastou com a piora da disparidade entre os grupos no ano passado, indicando que a distribuição da riqueza continua distante da igualdade. Os ganhos médios para homens aumentaram 3%, para US$ 44.408, enquanto as mulheres receberam US$ 31.610, só 0,2% acima dos ganhos de 2016. As diferenças raciais aumentaram, com a renda média das famílias negras caindo 0,2%, para US$ 40.258, enquanto a renda doméstica não- hispânica subiu 2,6%, para US$ 68.145. Famílias hispânicas se saíram melhor, com um aumento de 3,7%, para US$ 50.486.
O relatório mostrou também que a lacuna entre o topo e a base aumentou ainda mais. A renda familiar no décimo mais alto da distribuição de renda subiu 2,8%, para US$ 179.077 no ano passado, enquanto para a décima mais baixa, o aumento na renda foi de 2,3%, para US$ 14.219.
Outros números mostraram que a participação dos americanos sem seguro de saúde foi pouco alterada em 8,8%, ou 28,5 milhões. O índice de Gini de desigualdade de renda, foi de 0,482 em 2017, quase igual em relação a 2016. Quanto maior o número, mais desigual a distribuição de renda.
No geral, os dados mostram que os americanos continuam a ver uma melhora na renda em meio a um forte ritmo de contratação e uma taxa de desemprego próxima à mais baixa em quase cinco décadas. Ao mesmo tempo, 10 anos após a crise financeira marcada pelo colapso do Lehman Brothers, o grande número de pessoas pobres e a persistente desigualdade são um lembrete de que muitos americanos não estão sendo beneficiados pelo crescimento econômico mais rápido.

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