Putin inicia quarto mandato como presidente da Rússia

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Vladimir Putin, que controla o poder na Rússia desde 2000, tomou posse pela quarta vez como presidente do Estado nesta segunda-feira, dia 7, em uma cerimônia solene no Grande Palácio do Kremlin, que evoca uma coroação imperial.
A festa – que teve a presença de 6.000 convidados do líder de 65 anos, oriundo dos serviços de segurança soviéticos (KGB) e determinado a devolver à Rússia o papel de grande potência que teve a União Soviética – foi precedida por protestos de cidadãos. Embora minoritários, esses protestos cobrem uma ampla geografia e incorporam jovens, muito jovens e também setores altamente qualificados da população, preocupados com os crescentes obstáculos impostos em nome da segurança à modernização do país em um mundo globalizado.

Putin, que chegou à cerimônia em uma limusine russa, foi reeleito presidente em 18 de março com 76,6% dos votos. Entre a cerimônia de hoje e a tomada de posse de maio de 2012, foram realizadas a intervenção militar da Rússia na Ucrânia em apoio aos separatistas daquele país e a anexação da península da Crimeia, eventos que marcam uma linha divisória na evolução pós-soviética da Rússia e em seu posicionamento no sistema de relações internacionais.
Desde 2014, as relações entre Moscou e os países ocidentais têm sido marcadas por uma escalada de sanções e contra sanções, bem como pela ruptura de muitos laços institucionais (as duas cúpulas anuais entre a União Europeia e a Rússia, por exemplo), a desconfiança e o distanciamento.
Putin não é isolacionista e o que deseja é alterar as atuais regras do jogo para devolver à Rússia o coprotagonismo nas grandes decisões do mundo. À exclusão do G8 (clube internacional tão valorizado na época de Boris Yeltsin e no início da época de Putin), o chefe de Estado respondeu afirmando-se em outros espaços e com outros parceiros, como os Brics (o clube dos emergentes); a China, em suas fronteiras orientais; a Turquia e o Irã, no sul. Com estes dois últimos países, a Rússia coordena sua intervenção na Síria e seu retorno como potência militar no Oriente Médio. Às discrepâncias com o Ocidente causadas pela política do Kremlin na Ucrânia juntaram-se as diferenças pelo apoio de Moscou ao presidente sírio Bashar al-Assad e as acusações de interferir nas eleições norte-americanas.
Alimentada com retórica nacionalista (a Rússia estava “de joelhos e se levantou”), a política externa de Putin tem custos financeiros e sociais para o empresariado e a população, embora a sociedade nem sempre perceba a relação entre as duas coisas. Uma pesquisa do Centro Levada indicou que 82% dos russos apoiavam Putin em abril (frente a 17% que não o faziam). O chefe do Governo, Dmitri Medvedev, no entanto, tinha uma aprovação de 42% (e 57% contra) no mesmo período. Mas, de acordo com o centro de pesquisas TSIOM, a confiança em Putin caiu desde as eleições e passou de 58,9% em janeiro para 47,1% em abril.
Com a mão direita sobre a Carta Magna, Putin jurou na cerimônia “respeitar e defender os direitos e liberdades das pessoas e dos cidadãos, cumprir e defender a Constituição da Federação Russa, defender a soberania e a independência, a segurança e a integridade territorial do Estado, e servir ao povo com lealdade”.
Na avaliação de seu último mandato, 45% dos cidadãos disseram em abril que Putin não garantiu uma distribuição justa da renda no interesse dos cidadãos comuns e 39% afirmaram – em uma pesquisa realizada pelo Centro Levada – que os recursos perdidos durante as reformas não foram restituídos à população. De acordo com a mesma pesquisa, a lista de desejos para o novo mandato é liderada pelo aumento de salários e aposentadorias (39%), seguido de saúde e educação acessíveis (25%), desenvolvimento econômico, estabilidade da moeda, menos dependência dos preços do petróleo. Em quarto lugar ficou a luta contra a corrupção.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/07/internacional/1525675646_605215.html

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