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Os jornais como investimento de impacto social

Ferramenta criada pelo Granito Group permite classificação de relevância social de empresas de mídia. O maior fundo de investimento do mundo – o americano BlackRock – se comprometeu a concentrar seus investimentos em negócios e ativos de impacto social. Hoje, do total de US$ 85 bilhões que circulam no mercado financeiro global, estima-se que US$ 23 bilhões já estejam concentrados nessa categoria, que cresce 25% ao ano.
Os aportes em ativos de impacto social ainda se concentram em questões relacionadas a meio ambiente, saúde e educação. Aos poucos, porém, uma nova alternativa se firma para o setor: a defesa da imprensa livre, representada pelo investimento em jornais tradicionais.
Em um momento em que a disseminação de notícias falsas na internet ganha força, a busca por fontes confiáveis de informação tornou-se um debate global. Para ajudar a estruturar os jornais como uma opção de investimento, o Granito Group, grupo financeiro especializado em economia de impacto, criou o NIR – Newspaper Impact Rating –, uma metodologia para classificar jornais de todo o mundo conforme sua relevância para a sociedade.
A ferramenta, segundo Rodrigo Tavares, presidente do Granito Group, leva em conta quatro quesitos principais: conteúdo, alcance e engajamento com os leitores, independência editorial e tradição. A partir de uma escala máxima de 220 pontos, o NIR servirá para classificar os diferentes níveis de impacto das publicações, com um método único a ser aplicado em todo o mundo. Para ser considerado de “impacto superior”, um jornal precisa contabilizar pelo menos 176 pontos.
O Estadão foi o primeiro jornal no mundo a responder os questionários necessários para a obtenção de sua medida de impacto social a partir da metodologia criada pelo Granito Group. O jornal recebeu um total de 182 pontos – o suficiente para ser enquadrado na categoria “impacto superior”. Desde então, outras publicações ao redor do mundo procuraram o Granito Group para também medirem seu NIR. Um deles foi o britânico The Guardian.
De acordo com Tavares, a classificação ignora a linha editorial das publicações – segundo ele, se o jornal é considerado de esquerda ou de direita é um aspecto secundário em relação aos princípios editoriais adotados. O NIR nasceu para ajudar dois tipos de avaliação. A primeira é dos leitores. À medida que mais jornais responderem ao questionário do Granito Group, será criada uma plataforma digital que servirá de apoio para as pessoas buscarem fontes mais confiáveis de informação.

Critério
O NIR, no entanto, também terá o propósito de ajudar a guiar decisões de investidores em negócios de impacto social ou de fundos que administram recursos de filantropia que tenham interesse em fazer aportes em mídia. “O que essa ferramenta faz é embasar de forma objetiva uma decisão que hoje ainda é orientada pela subjetividade e pelo marketing. E é uma forma de jornalistas e de empresários do setor de mídia explicarem sua relevância de forma clara para suas comunidades e eventuais investidores financeiros”, escreveu Tavares, em um artigo publicado no Fórum Econômico Mundial.
Nos Estados Unidos, a tendência de investidores que fizeram fortuna em outras indústrias voltarem seus olhos para a mídia é clara. Jeff Bezos, fundador da Amazon e homem mais rico do mundo, comprou o The Washington Post. Bezos não está sozinho: o empresário John W. Henry, bastante conhecido no mundo dos esportes – dono de clubes como o Red Sox (de beisebol) e o Liverpool FC (de futebol) – adquiriu o Boston Globe, jornal regional que ficou globalmente conhecido ao ser retratado no filme Spotlight – Segredos Revelados.

https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,os-jornais-como-investimento-de-impacto-social,70002750443

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