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Cresce procura por ensino de negócios em escolas da Ásia

O surgimento da Ásia como centro de ensino executivo reflete a ascensão da China, Cingapura e Índia como potências econômicas. O motivo não é só a existência de mais potenciais candidatos com dinheiro e ambição para obter uma especialização em negócios. Hoje há muitas empresas conhecidas no mundo que nasceram na região, como o Alibaba, tentando contratar essas pessoas.
As escolas de negócios asiáticas podem ser mais jovens que as americanas e europeias, mas estão se estabelecendo rapidamente – e vem mostrando resistência. O crescimento das inscrições nos programas de MBA em escolas de negócios asiáticas superou o resto do mundo pelo segundo ano consecutivo em 2019, de acordo com a administradora de exames Graduate Management Admission Council (GMAC).
Isso desafia o cenário global em que as inscrições nas escolas de negócios caíram 3,1% este ano em relação a 2018. É também muito significativo levando-se em conta as grandes quedas nos Estados Unidos, o maior mercado de MBAs do mundo. O crescimento asiático foi motivado em parte pelo forte interesse dos estudantes da região. Quase metade (48%) das escolas de negócios asiáticas informaram um crescimento nas inscrições domésticas neste ano.
A geopolítica pode estar encorajando os estudantes asiáticos a permanecerem na região. A retórica desagregadora do presidente americano, Donald Trump, e a hostilidade contra pessoas de outros países nos Estados Unidos estão desencorajando os estudantes asiáticos a se inscrever em programas de MBA
americanos, segundo afirma Sangeet Chowfla, presidente e executivo-chefe da GMAC.
Ele acrescenta que o nacionalismo crescente entre os governos da Ásia, especialmente a China, que alertou seus cidadãos para que sejam cuidadosos ao considerarem estudar nos Estados Unidos, pode ter parte da culpa. É uma tendência preocupante, segundo Chowfla, uma vez que ela torna o ensino de negócios nos Estados Unidos menos diversificado.
Ter uma diversidade de estudantes que levam perspectivas diferentes para as discussões em sala de aula é muito importante para o ensino de disciplinas como liderança e estratégia. “Estamos voltando ao século XVIII, em que os líderes entendiam apenas sua própria situação”, diz.
Por outro lado, as escolas de negócios asiáticas estão atraindo mais interesse de estudantes internacionais, segundo afirma Lawrence Linker, fundador da MBA Link de Cingapura. A consultoria especializada em admissões foi estabelecida inicialmente para ajudar estudantes asiáticos interessados em estudar nos EUA e Europa, mas Linker diz que hoje recebe um grande volume de consultas de pessoas que buscam ir na outra direção.
“Poucas décadas atrás, um profissional em negócio ocidental podia usar uma atribuição internacional, com frequência na Ásia, como meio para ganhar mais
responsabilidade e ascender rapidamente antes de voltar para casa”, diz Linker. “Mas estamos vendo mais profissionais ocidentais jovens se inscrevendo em escolas na Ásia para se posicionarem nesse ambiente, em vez de ficar esperando oportunidades de seus patrões.”
Algumas escolas de negócios asiáticas também estão mais diversificadas do que suas contrapartes nos EUA em termos de gênero. Embora haja uma grande variação entre os países, na China, por exemplo, 73% dos participantes da pesquisa da GMAC informaram uma demanda maior das mulheres neste ano, e as mulheres responderam por 51% de todas as inscrições feitas nas escolas do país.
Nos Estados Unidos, apenas 31% dos participantes da pesquisa da GMAC informaram uma demanda maior das mulheres neste ano, com elas respondendo por 39% das inscrições nas instituições do país. Embora as escolas asiáticas estejam ascendendo nos rankings, apenas 15 delas entraram na lista global de MBA do “Financial Times” neste ano, incluindo o campus asiático da Insead, mais três outras da Austrália. Isso sugere que os estudantes que estão considerando apenas as melhores instituições têm uma probabilidade ainda maior de escolher cursos nos EUA e Europa.
Isso pode se dever ao fato de que até mesmo as maiores escolas asiáticas são relativamente novas em comparação às escolas de negócios dos EUA e Europa – a Universidade de Ciências e Tecnologia de Hong Kong (HKUST), por exemplo, foi estabelecida em 1991. A Insead, a principal escola de negócios da Europa, foi criada em 1957.
As instituições asiáticas estão amadurecendo muito mais rapidamente que suas colegas americanas ou europeias, segundo Andrew Crisp, cofundador da Carrington Crisp, consultoria especializada em educação. “Suspeito que Harvard não tinha um grupo internacional tão forte quanto a HKUST em seus primeiros 30 anos”, afirma ele.
Mas a demanda vigorosa é uma faca de dois gumes para as escolas de negócios asiáticas, uma vez que elas têm mais dificuldade para assimilar isso. A taxa média de aceitação nas escolas de negócios asiáticas cobertas pela pesquisa da GMAC foi de 48% neste ano, em comparação a 71% para as escolas americanas.
No entanto, o fator decisório definitivo para aqueles que consideram qualquer escola são as perspectivas futuras de contratação, diz Crips. “Embora a economia chinesa tenha desacelerado, seu crescimento ainda é muito maior que o das economias desenvolvidas, daí o fato de as oportunidades estarem aparecendo mais rapidamente”, diz.

https://valor.globo.com/carreira/noticia/2019/11/21/cresce-procura-por-ensino-de-negocios-em-escolas-da-asia.ghtml

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