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Aramco fará IPO e espera arrecadar US$ 60 bi

A Saudi Aramco anunciou sua tão aguardada oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) ontem, dando início à peça central do ambicioso plano do príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, de reformular a economia dependente de petróleo do país.
A listagem enfrentou uma série de atrasos, gerando dúvidas sobre a capacidade de a empresa mais lucrativa do mundo garantir a avaliação de US$ 2 trilhões cobiçada pelo reino.
Um marco na agressiva iniciativa do príncipe Mohammed de cumprir sua promessa de modernizar o reino conservador, a oferta foi apontada como a maior do mundo.
A expectativa é arrecadar até US$ 60 bilhões com a venda de até 3% da empresa. Banqueiros acreditam que US$ 1,2 trilhão a US$ 1,5 trilhão é uma avaliação mais realista para a companhia.
A empresa informou que emitirá o prospecto de seu IPO em 9 de novembro. O preço final da oferta, o tamanho da listagem e a avaliação serão determinados no final do período de “bookbuilding” (processo de fixação do preço por ação).
O presidente do conselho de administração da Saudi Aramco, Yasir al-Rumayyan, disse que o anúncio “representa marco significativo na história da empresa” e demonstra progresso no sentido de entregar o plano de reforma econômica Saudi Vision 2030, do príncipe Mohammed.
O anúncio formal da Saudi Aramco é o mais próximo que o governo chegou da finalização da listagem. As autoridades sauditas disseram que, por enquanto, o processo será feito apenas na bolsa de valores de Tadawul.
Em 2018, a Saudi Aramco registrou receita líquida de US$ 111 bilhões. Até agora, o maior IPO do mundo foi o da empresa chinesa de comércio eletrônico Alibaba, em 2014, que levantou US$ 25 bilhões.
No entanto, duas fontes a par do processo disseram que, apesar do anúncio formal, a Saudi Aramco ainda pode realizar a listagem mais para frente, dependendo da resposta dos investidores.
O IPO foi suspenso, no ano passado, em meio a preocupações com a avaliação de preço e depois que a corte real ordenou que a Saudi Aramco comprasse participação de 70% na Sabic, a maior empresa petroquímica do reino, do Public Investment Fund, o fundo soberano do país.
Após o lançamento de bônus de US$ 12 bilhões, em abril, Riad retomou o processo de listagem, apesar dos ataques com mísseis e drones na infraestrutura da Saudi Aramco, que, temporariamente, derrubaram metade da produção de petróleo do reino.
Embora o anúncio do IPO tenha sido adiado novamente no mês passado, o governo continuou a pressionar assessores para garantir que a listagem fosse levada adiante neste ano, com o príncipe Mohammed interessado em provar que suas reformas econômicas estão em andamento, segundo analistas.
De acordo com banqueiros, há entusiasmo entre os sauditas pela listagem. A expectativa é que investidores domésticos componham a maior parte da oferta. Espera-se que os bancos locais financiem, pesadamente, os sauditas para que possam comprar ações. Famílias ricas, muitas das quais foram presas na repressão à corrupção do príncipe Mohammed, em 2017, foram pressionadas a investir.
Enquanto isso, investidores estrangeiros têm sido mais céticos, citando questões de governança, interferência estatal na estratégia corporativa e incapacidade do reino de proteger suas instalações de energia.
O governo também abordou fundos soberanos no Oriente Médio e em outros lugares para investir no IPO. A maioria dos principais bancos mundiais, incluindo J.P. Morgan, Goldman Sachs, Morgan Stanley e Citigroup, está trabalhando na listagem.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/11/04/aramco-fara-ipo-e-espera-arrecadar-us-60-bi.ghtml

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