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Apple pode faturar US$ 100 bi no 4o tri

Os novos iPads e Macs lançados ontem darão à Apple sua linha de produtos mais forte para a temporada de vendas de fim de ano em vários anos, preparando o caminho para o que poderá ser seu primeiro trimestre com receita de US$ 100 bilhões, segundo preveem alguns analistas.
O segundo lançamento de produtos da Apple neste semestre, realizado em Nova York levou a uma alta dos preços em toda a linha de produtos. A Apple acrescentou até US$ 200 ao valor de entrada de seu novo MacBook Air e do iPad Pro, o modelo maior.
Os reajustes se tornaram parte da estratégia da Apple, no momento em que os mercados de smartphones e PCs apresentam crescimento muito pequeno.
Analistas disseram que os dois lançamentos representam a maior mudança na carteira de produtos da Apple em anos. “A Apple tem uma bela temporada de vendas de fim de ano pela frente”, disse Bem Bajarin, analista da Creative Strategies.
O iPad teve sua maior reforma desde o lançamento do tablet original em 2010, com uma tela maior numa moldura menor e a troca do “home button” por uma câmera de reconhecimento facial.
O iPad Pro, que tem o processador móvel mais potente da Apple, o chip A12X Bionic, copia as técnicas do iPhoneX de usar uma câmera de identificação facial e cantos mais finos. O maior dos dois novos modelos do iPad tem mais ou menos o mesmo tamanho de um papel de carta nos Estados Unidos, 21,6 cm por 27,9 cm, e pesa 635 gramas, o que o torna mais leve que seu antecessor.
Os dois Macs de “entrada” passaram vários anos sem uma modificação significativa. O notebook MacBook Air e o mini computador de mesa independente Mac receberam um novo visual e tecnologia melhorada.
“Esta é uma grande renovação dos porfólios Mac e iPad que representa uma linha de modelos extremamente forte para as festas de fim de ano”, disse Geoff Blaber, analista da CCS Insight. “O iPad Pro passou por uma atualização significativa e deverá conduzir um saudável ciclo de substituição, especialmente entre os donos do iPad Pro da primeira geração, comprado há dois ou três anos.”
Os avanços chegam a um custo elevado. A opção de maior armazenagem, de até 1Tb de memória, quando acompanhada de acessórios aprimorados como o Pencil e a capa protetora de teclado podem significar um gasto total de mais de US$ 2 mil.
O preço inicial do novo iPad Pro de 11 polegadas é de US$ 799, comparado aos US$ 649 da versão de 10,5 polegadas do ano passado. O valor inicial do modelo de 12,9 polegadas é de US$ 999, em comparação a US$ 799 um ano atrás.
O MacBook Air mais recente, com uma tela Retina e um leitor de impressões digitais Touch ID, agora custa mais de US$ 1.199, ou US$ 200 a mais que o anterior. O preço do atualizado Mac mini começa em US$ 799 – em comparação aos US$ 499 do modelo anterior.
“O poder de estabelecer preços da Apple continua sem paralelos no setor de produtos eletrônicos de consumo”, disse Blaber, que observou que o velho MacBook Air ainda está disponível por US$ 999. “A Apple está mantendo sua fórmula de preços testada e aprovada do ‘good, better, best’.”
Há muito a Apple cobra um ágio por seus dispositivos, em comparação a outros fabricantes de PCs e smartphones. Sua base de clientes abastados vem mostrando que está preparada para pagar mais por um design elegante e simplicidade no uso, mesmo que concorrentes como a Samsung possam alegar que introduziram antes algumas inovações tecnológicas.
A empresa começou a testar a tolerância dos clientes a preços ainda mais altos há alguns anos – por exemplo, com o Apple Watch Edition de ouro maciço, que custava mais de US$ 10 mil e não é mais fabricado.
No ano passado, sua aposta de que os clientes pagariam mais de US$ 1 mil pela reformulação de seus novos iPhones foi acertada. Graças à alta dos preços médios de venda, a Apple superou consistentemente as previsões de receitas e lucros da Wall Street ao longo de 2018, apesar do crescimento fraco do volume vendido.
Agora, alguns analistas de Wall Street estão prevendo que as receitas da Apple no quarto trimestre poderão chegar a US$ 100 bilhões pela primeira vez, um marco para uma companhia que se tornou a primeira a ser avaliada em mais de US$ 1 trilhão em agosto.
A Apple vai indicar se acredita que conseguirá alcançar essa meta ao divulgar os lucros do terceiro trimestre, assim como as diretrizes para os três últimos meses do ano, nesta quinta-feira.
Analistas da RBC acreditam que a receita crescerá 18%, para cerca de US$ 62 bilhões de julho a setembro, apesar do crescimento das vendas unitárias do iPhone de apenas 2%, para 47,6 milhões de unidades.

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