Martin Hofmann

Volkswagen pode ser montadora pioneira em serviço quântico

A Volkswagen fez suas primeiras experiências com um computador quântico há cerca de dois anos, para determinar se essa avançada tecnologia de computação seria capaz de otimizar o tráfego em grandes cidades de modo muito mais rápido que um computador clássico comum. 
O projeto de pesquisa evoluiu e se tornou um sistema de administração de tráfego que a montadora alemã pode colocar no mercado como um serviço, diz Martin Hofmann, vice-presidente de informação da marca.
“Estamos chegando cada vez mais perto do lançamento comercial”, disse Hofmann, que comanda a tecnologia da informação nas 12 marcas do grupo Volkswagen, entre as quais Audi, Porsche e Bentley. Ele não precisou, no entanto, quando a tecnologia estará disponível no mercado.
O experimento usou um computador clássico e um computador quântico para prever a demanda por táxis com até uma hora de antecedência ante o horário em que eles teriam de chegar a diferentes lugares na cidade, diz Hofmann. 
Isso é estratégico para a companhia porque prever tal demanda com precisão pode ser útil para reduzir o tempo de espera dos passageiros, o congestionamento nas avenidas e eliminar o tempo ocioso de motoristas à espera de chamadas dos passageiros.
Ainda que a montadora não tenha um prazo para o lançamento, o serviço, chamado de “roteamento quântico”, pode se tornar um recurso no sistema de navegação dos veículos da Volks —um diferencial na indústria automobilística.
O teste Volkswagen extraiu dados de GPS de mais de 10 mil táxis em Pequim e simulou rotas específicas que permitiriam que cada carro viajasse do centro ao aeroporto mais próximo, a cerca de 32 quilômetros de distância.
Uma equipe de cinco pesquisadores da marca usou dados anonimizados de usuários de celulares fornecidos pela operadora de telefonia móvel Orange, como GPS, data, hora e percurso. Isso permitiu que a empresa visse a movimentação das pessoas.
Os dados foram agregados e analisados pela empresa suíça Teralytics, que permitiu que a Volkswagen identificasse apenas pedestres, em contraposição aos que estivessem em carros ou bicicletas. 
Os dados, então, foram usados para alimentar um algoritmo de aprendizado de máquina, sistema de inteligência artificial. Ele aprendeu, com o tempo, a prever onde estariam diferentes pedestres ou grupos de pedestres em diferentes horários.
O algoritmo de previsão foi transferido ao computador quântico da empresa D-Wave, que pode designar grupos exatos de táxis para diversos destinos em tempo quase real, com até uma hora de antecedência ante o horário em que os carros seriam necessários.
Esses problemas de otimização são complexos em razão das muitas variáveis e das possíveis soluções envolvidas. Os computadores quânticos são capazes de resolvê-los quase em tempo real, enquanto os computadores clássicos demoram minutos ou horas.
A companhia, que tem três patentes relacionadas à computação quântica à espera de aprovação, também pode oferecer o sistema para empresas de transporte coletivo ou serviços online de carros, o que permitiria prever receitas com base em uma projeção mais precisa da demanda por parte dos passageiros, disse.
Outras montadoras, como a Ford, estão realizando experiências de computação quântica, uma aposta de especialistas para o médio e longo prazo.
A tecnologia emergente tem a capacidade de resolver problemas complexos que ficam muito além da capacidade dos supercomputadores atuais, ao explorar as propriedades da mecânica quântica.
Enquanto os computadores tradicionais usam dígitos binários, ou bits, que podem ser ou zeros ou uns, os computadores quânticos usam bits quânticos, ou qubits, que representam e armazenam informações em forma de zeros e uns de forma simultânea.
Os computadores quânticos têm o potencial de vasculhar um vasto número de soluções possíveis —maior que o número de átomos no universo— e os cálculos são concluídos em uma fração de segundo.
A D-Wave é uma das muitas empresas que planejam comercializar computadores quânticos. A tecnologia também está na mira das americanas Google, da Alphabet, IBM e Microsoft.

https://www1.folha.uol.com.br/tec/2018/11/volkswagen-pode-ser-montadora-pioneira-em-servico-quantico.shtml

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