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Putin declara apoio à China em guerra comercial e critica EUA

Táticas agressivas dos Estados Unidos, como uma campanha contra a Huawei, empresa chinesa de telecomunicações, levarão a guerras comerciais ‒ e possivelmente a guerras reais ‒, disse o presidente russo, Vladimir Putin, em uma demonstração de solidariedade à China, ao lado do presidente Xi Jinping.
Em algumas de suas palavras mais fortes sobre o assunto, Putin acusou os EUA de “egoísmo econômico desenfreado”. Ele destacou os esforços dos EUA para impedir o fornecimento de um gasoduto russo para a Europa e a campanha americana para persuadir países a proibirem a Huawei, maior fabricante de equipamentos de telecomunicações do mundo, de fornecer equipamentos de rede.
Os comentários, em um fórum econômico em São Petersburgo, junto a Xi, foi uma clara demonstração de união com a China em um momento em que Pequim está envolvida em uma guerra comercial com Washington e os laços de Moscou com o Ocidente estão no pior momento desde a Guerra Fria.
“Estados que antes promoviam o livre comércio com competição franca e aberta começaram a falar a linguagem de guerras e sanções comerciais, de invasões econômicas usando táticas de coerção e intimidação, de eliminar concorrentes usando os chamados métodos não mercantis”, disse Putin. “Veja, por exemplo, a situação em torno da Huawei, que eles estão tentando, não apenas espremer, mas tirar do mercado global sem cerimônia. Ela já está sendo chamada de a primeira guerra tecnológica da era digital emergente em alguns círculos”, acrescentou.
Para Putin, o mundo corre o risco de entrar numa época em que “as regras internacionais gerais serão trocadas pelas leis dos mecanismos administrativos e legais … que é como os EUA estão se comportando, espalhando sua jurisdição pelo mundo inteiro”.
“É um caminho para conflitos intermináveis, e talvez não apenas guerras comerciais. Figurativamente falando, é um caminho para batalhas sem regras, que colocam todos contra todos os outros”, disse o presidente russo.
Putin também reclamou do dólar americano, chamando-o de um instrumento de pressão cujo papel no sistema financeiro deveria ser reconsiderado.
Já o presidente da China adotou um tom mais conciliatório, exigindo que as potências mundiais protejam o sistema global de comércio multilateral. Por meio de uma intérprete, Xi Jinping disse que é “difícil imaginar uma ruptura completa” entre os EUA e a China. “Não estamos interessados nisso, e nossos parceiros americanos não estão interessados nisso. O presidente Trump é meu amigo e estou convencido de que ele também não está interessado nisso.”

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