Boris-Johnson_eleicoes_notaalta

Pesquisas mostram conservadores à frente no Reino Unido

O premiê do Reino Unido, Boris Johnson, lidera pesquisas de intenção de voto por dois dígitos, dias antes de os britânicos votarem na eleição que determinará o destino do Brexit, na quinta-feira. Se refletida nas urnas, a liderança seria suficiente para dar a Johnson maioria confortável no Parlamento.
A campanha eleitoral acirrada ocorre em meio a um impasse de mais de três anos sobre se o Reino Unido deve ou não deixar a União Europeia. Se o Partido Conservador de Johnson ganhar votos suficientes para ter maioria no Parlamento, abrirá caminho para o país deixar a UE em 31 de janeiro.
Se Johnson não conseguir maioria, uma combinação de partidos de oposição possivelmente liderados pelo Partido Trabalhista pode chegar ao poder e levar adiante outro plebiscito do Brexit, ampliando a incerteza sobre o divórcio.
A libra já se recuperou em relação ao dólar nos últimos dias, em antecipação a uma confortável vitória conservadora. Mas, com muitos eleitores ainda indecisos, a vitória de Johnson ainda não é certa.
Segundo pesquisa feita pelo instituto Britain Elects, os conservadores têm 42% das intenções de voto, contra 32% dos trabalhistas.
Pesquisa da BMG, divulgada ontem, mostra os conservadores com 41%, dois pontos acima da pesquisa anterior, de 30 de novembro. Os trabalhistas caíram um ponto para 32%, e os liberais-democratas cresceram um ponto para 14%. O Partido Brexit – que defende a saída do bloco a qualquer custo – permaneceu com 4%. Outras pesquisas publicadas no fim de semana mostram os conservadores com até 15 pontos à frente dos trabalhistas.
Na sexta-feira, Johnson enfrentou o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, em debate na televisão, mas nenhum deles conseguiu se impor de maneira convincente. “A maior coisa que precisamos acertar é o Brexit”, disse Johnson ontem. “É o que tem pairado sobre nós nos últimos três anos.”
A campanha de cinco semanas tem sido marcada por um ataque terrorista em Londres, inundações no norte da Inglaterra e uma série de planos econômicos com o objetivo de atrair um eleitorado cada vez mais exasperado. Desde a eleição de Margaret Thatcher, em 1979, os britânicos não se viam diante de uma escolha entre dois candidatos tão contrastantes.
Johnson, um singular ex-jornalista, repete o slogan “Get Brexit Done” (Fazer o Brexit), prometendo tirar o Reino Unido da UE, ao mesmo tempo em que gasta mais em saúde e policiamento.
Corbyn, um socialista discreto, promete outro referendo do Brexit e defende planos do partido de ampliar o papel do Estado na economia, que incluem centenas de bilhões de dólares em projetos como internet grátis para todos.
O país está dividido sobre o Brexit. E Johnson tem uma vantagem sobre seus oponentes: conseguiu unificar o voto pró-Brexit por trás de seu Partido Conservador. Enquanto isso, o voto anti-Brexit ainda está dividido entre trabalhistas e um grupo de partidos menores, incluindo os liberais-democratas.
Para Johnson, ter maioria no Parlamento é fundamental, uma vez que os conservadores não têm aliados para formar aliança. Para romper o impasse político que persiste desde o plebiscito em 2016, Johnson tem como estratégia conquistar todos os eleitores que apoiam o Brexit, mas não necessariamente votaram nos conservadores nas últimas eleições.
Corbyn, por sua vez, diz que renegociaria o acordo de divórcio de Johnson com a UE e o colocaria para ser votado juntamente com o plebiscito sobre a permanência ou não do Reino Unido no bloco.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/12/09/pesquisas-mostram-conservadores-a-frente-no-reino-unido.ghtml

Comentários estão desabilitados para essa publicação