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Onda de medidas de estímulo pode gerar mais conflito

A perspectiva de pacotes de estímulos para evitar que a economia mundial afunde em nova recessão entrou na agenda
internacional. A questão é quais medidas podem ser adotadas sem causar mais atritos entre os países.
Na cena comercial, em Genebra, nota-se que, na crise global de 2008/09, os governos forneceram vários tipos de apoio que causaram polêmica, mas terminaram sendo aceitos, sobretudo para evitar o colapso do setor financeiro.
O debate poderá ser reavivado agora sobre o que é subsídio bom ou não, já que parece haver pouco espaço nas políticas tradicionais para dar impulso às economias.
Na política monetária a margem é estreita porque boa parte dos bancos centrais já tem taxas de juros muito baixas ou negativas. Mais de um terço dos BCs reduziram o custo do dinheiro nos últimos seis meses, em resposta à desaceleração da atividade.
Também o estímulo fiscal é complicado, devido ao acúmulo de déficit fiscal num bom número de países, inclusive em razão do apoio governamental fornecido ainda na crise de 2008.
O que sobra são medidas não convencionais que podem reduzir muito a igualdade nas condições de concorrência entre empresas.
É o caso de programas tipo “Buy America” (compre dos EUA), de estímulo a compras de produtos nacionais; compras governamentais que favoreçam a indústria doméstica; ou ainda lançamento de projetos de infraestrutura com exigência de conteúdo nacional.
Essas são algumas das medidas de apoio que podem gerar mais conflitos entre os principais países, segundo importantes fontes comerciais. O Global Trade Alert (GTA), mecanismo que monitora o desenvolvimento de políticas comerciais, diz que o comércio global já vem sofrendo distorções com regras, redução de impostos e subsídios à exportação há anos.
Para o GTA, em 2019 cerca de 73% do comércio mundial será afetado por alguma medida que distorce as exportações, comparado a 25% há uma década.
Ao Valor, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo, afirmou que “é muito importante colocar ênfase na retomada do crescimento” e que “um passo fundamental nessa direção seria a normalização das relações comerciais entre os principais parceiros”. Ele diz que “todos os analistas mostram que um dos principais motivos do risco de recessão é a incerteza, que causa retração nos investimentos”.
Ou seja, o mais importante agora seria uma verdadeira trégua entre EUA e China, já que a situação atual é causada sobretudo pela guerra comercial entre ambos.
O risco de recessão causada pela guerra comercial será debatido pelos líderes do G-7 (grupo que reúne EUA, Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido e Japão) neste fim de semana, na França.
A Alemanha enfim acena com um pacote de estímulo depois de anos sofrendo pressão para gastar mais e ajudar a
economia mundial. As atenções estão voltadas também para países fragilizados, como Itália, Reino Unido, México,
O banco suíço Reiffeisen menciona a possibilidade de um “dilúvio” de medidas para estimular a retomada econômica, o que ajudaria na disposição do mercado de assumir riscos no momento.
Ontem, o presidente Donald Trump admitiu que estuda reduzir o imposto de renda dos trabalhadores e também sobre o ganho de capital para estimular a economia americana, mas que não é nada de imediato. Na Ásia, o governo da Tailândia aprovou ontem medidas de estímulo econômico no valor de quase US$ 10 bilhões para conter a desaceleração da economia.

https://www.valor.com.br/internacional/6399615/onda-de-medidas-de-estimulo-pode-gerar-mais-conflito#

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