O mundo dos paratletas – I | Nota Alta ESPM

O mundo dos paratletas – I

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Clarisse Setyon

Sabe aquela onde de 1000 livros para ler antes de morrer, 1000 filmes para assistir antes de morrer ou ainda os 1000 lugares para conhece antes de morrer?

Não sei o que vocês acham desta onda, mas eu gostaria de conhecer alguém com tanto tempo disponível, tanto dinheiro e tanto gosto por leitura, viagem ou cinema. Se a lista fosse reduzida a um 30 ou 40 livros, filmes e destinos de viagem, vá lá … mas 1000 ??!

Bom, foi pensando nisto que resolvi ajudar meus leitores a começar pelo começo.

Vamos fazer um laboratório. Vamos engatinhar antes de sair correndo 100 mts com barreiras.

Não é uma questão de pensar pequeno. É uma questão de fazer uma coisa por vez. Ter um objetivo, traçar a estratégia e os planos. Controlar. Avaliar (nossa ! tá parecendo aula de Gestão de Eventos Esportivos). Isto feito, aí sim, podemos ir para a segunda leitura, o segundo filme, ou à segunda viagem.

Aí vai então minha dica de 1 coisa para fazer antes de morrer: Vá a um evento esportivo de paratletas. Sim, paratletas, aqueles que são deficientes.

Tive o prazer de estar no Circuito Caixa Loterias 2014, no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, há duas semanas atrás.

Paratletas são aqueles ATLETAS (é isto mesmo, ATLETAS com letra maiúscula) que não têm uma perna. Que não tem um braço. Aliás, aqueles que às vezes não tem as 2 pernas e os 2 braços. Tem também aqueles que têm deficiências visuais, mentais ou até atletas vitimados por um AVC ou por um Mal de Parkinson (deficiências motoras).

Só para vocês terem uma ideia, vejam quais são as categorias de uma prova de atletismo de arremesso de peso e lançamentos:

  • F11 a F13 – deficientes visuais
  • F20 – deficientes intelectuais
  • F31 a F38 – paralisados cerebrais (31 a 34 para cadeirantes e 35 a 38 para ambulantes)
  • F40 – anões
  • F41 a F46 – amputados e outros (les autres)
  • F51 a F57 – competem em cadeiras  (sequelas de poliomielite, lesões medulares e amputações)

Pois é, todo este povo competindo, correndo, nadando levantando pesos.

Os deficientes visuais, por exemplo, na piscina, têm que ser avisados que está terminando a raia. Como ? Básico: o treinador os avisa cutucando-os com uma vareta, na ponta da qual tem uma bolinha de tênis. Uma cutucada no ombro e eles sabem exatamente quantos metros faltam para eles baterem a mão na borda da piscina.

Na natação, as categorias são: nadadores com limitações físico-motoras, nadadores com deficiências visuais e nadadores com deficiências intelectuais.

DEMAIS ! É o que tenho a dizer a vocês por enquanto. Esta é a minha nova paixão, assim, aguardem, provavelmente vou compartilhar mais aprendizados com vocês, mas o importante é não esquecer: ir a um evento destes é uma daquelas coisas para fazer antes de morrer. Rio 2016 vem aí.

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