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May adia votação do ‘brexit’ no Parlamento para pedir garantias à Europa

Em dura derrota para a primeira-ministra Theresa May, o governo do Reino Unido adiou a votação, pelo Parlamento britânico, do acordo de separação do país da União Europeia (UE).   
O Legislativo se pronunciaria na terça-feira (11) sobre os termos do documento acordado entre May e líderes europeus em novembro. Não há nova data para o voto, mas o dia limite para a chefe de governo apresentar um plano é 21 de janeiro.
Ela avaliou que não conseguiria conter, a tempo da sessão de terça, o motim de parte significativa de seus correligionários do Partido Conservador.
Eles acham que o texto faz concessões demais ao bloco europeu e atenta contra a soberania britânica.
Na tarde de terça, em discurso tenso diante de parlamentares que a interromperam duas vezes, May disse que voltará a Bruxelas (sede da burocracia europeia) para buscar garantias de que o “backstop” –como é conhecido o mecanismo que instauraria a união aduaneira– será provisório.
Muito da contrariedade dos legisladores advém do temor de que o Reino Unido ficaria preso indefinidamente nessa zona tarifária comum e que isso o impediria de fechar acordos comerciais com outros países, por exemplo.
O que o documento negociado entre as partes efetivamente prevê é que, instaurada a união, Londres não poderia abandoná-la unilateralmente; seria necessário para isso o assentimento da UE.      
Em tom desafiador, a líder conservadora perguntou se o Parlamento queria mesmo colocar em prática o “brexit”.
“Se quer, e acredito que essa seja a resposta da maioria aqui, precisamos nos perguntar se estamos dispostos a fazer concessões”, disse. “Porque não haverá um ‘brexit’ bem-sucedido e longevo sem concessões dos dois lados.”
Em sua réplica, o líder do Partido Trabalhista, o oposicionista Jeremy Corbyn, sugeriu que May buscará apenas garantias adicionais, e não mudanças de fundo no acordo com a UE.
“Este governo está completamente desordenado. Trata-se de um acerto ruim para o Reino Unido, para nossa economia e nossa democracia”, afirmou. “Se ela [May] não consegue renegociar os termos, deve ceder seu lugar a outra pessoa.”
O desligamento britânico do grupo continental está agendado para 29 de março de 2019. Na segunda pela manhã, entretanto, o Tribunal Europeu de Justiça divulgou decisão segundo a qual o Reino Unido pode optar unilateralmente, até a data acima, por revogar o “divórcio”, permanecendo na UE.
Durante o fim de semana, a primeira-ministra conversou com o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, e com chefes de governo da Alemanha (Angela Merkel) e da Holanda (Mark Rutte), entre outros –segundo jornais ingleses, em busca de emendas ao acordo de separação fechado algumas semanas atrás.
Na segunda, a União Europeia foi categórica em descartar essa possibilidade. “Temos um acordo na mesa. Não vamos renegociar”, afirmou Juncker.
No começo da noite, o presidente do Conselho Europeu (que congrega chefes de Estado e governo da UE), Donald Tusk, foi pelo mesmo caminho. “Não renegociaremos o acordo, tampouco o ‘backstop’, mas estamos prontos para discutir como contribuir para a ratificação dele no Reino Unido”, escreveu em uma rede social.
 
No pronunciamento ao Parlamento, May também voltou a afastar esse cenário. “Se fizermos um segundo, vão pedir um terceiro. Quem pede uma nova consulta precisa ser honesto quanto ao risco de que isso dividiria mais uma vez nosso país.”
E prosseguiu: “E quem defende sair da União Europeia sem acordo precisa admitir os efeitos que isso teria sobre as regiões britânicas mais pobres”.  
Também na segunda, Michael Gove, um dos principais ministros do gabinete conservador, rechaçara a hipótese do adiamento da votação no Parlamento, mas contradissera Juncker –ou, ao menos, o desafiara. “É claro que podemos melhorar esse acordo. É o que a primeira-ministra está tentando fazer.”
A notícia do adiamento derrubou a cotação da libra esterlina, que atingiu seu valor mais baixo face ao dólar em 18 meses.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/12/votacao-do-brexit-no-parlamento-britanico-e-adiada-diz-imprensa-local.shtml

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