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Europa monta equipe para disputas com EUA

A próxima presidente da Comissão Europeia fortaleceu a Europa para batalhas com Donald Trump sobre regulamentação comercial e das empresas de tecnologia, ao dar mais poderes à principal autoridade antitruste da União Europeia (UE) e ao exortar o bloco a ser duro com rivais globais, como a China.
Ursula von der Leyen prometeu ontem liderar uma Comissão “geopolítica” na
UE, ao promover Margrethe Vestager, a dinamarquesa que é comissária de
Concorrência, à poderosa função de vice-presidente executiva, com a
atribuição ampliada de regular as empresas de tecnologia dos EUA. A Comissão é o órgão executivo da UE.
O irlandês Phil Hogan, um oponente do Brexit na UE e ex-comissário de Agricultura, foi nomeado como novo chefe comercial do bloco. Ele será o encarregado de negociar qualquer acordo comercial da UE, como com o Mercosul, e administrar as tensas relações comerciais com a Casa Branca.
Vestager e Hogan, em segundos mandatos como comissários, são defensores explícitos dos interesses europeus contra o protecionismo comercial dos EUA e o domínio de mercado exercido pelas gigantes digitais americanas.
Imediatamente após a sua nomeação, Hogan criticou as políticas comerciais “impulsivas” de Trump e disse que tentará fazer o presidente americano “ver o erro de seus modos”. “Trump certamente indicou sua preferência clara pelas guerras comerciais, em vez dos acordos comerciais. Se ele continuar com essa dinâmica particular de protecionismo, espero que a UE continue firmando acordos pelo mundo”, disse Hogan.
Leyen, ex-ministra da Defesa da Alemanha escolhida pelos líderes da UE em julho como a próxima presidente da Comissão, anunciou ontem os nomes que trabalharão com ela na Comissão.
Vestager, apelidada de “tax lady” [a dama dos impostos] por Trump, impôs multas recorde ao Google e exigiu que o governo irlandês cobrasse impostos da Apple. Em junho, Trump disse que a dinamarquesa “odeia os EUA talvez mais do que qualquer pessoa que já conheci”, depois dos choques que ela teve com as empresas de tecnologia americanas.
Além de policiar fusões e as regras de auxílio estatal pelos próximos cinco anos, Vestager também vai liderar a política digital da UE.
O cargo envolverá preparar uma nova e ampla lei, a Lei de Serviços Digitais da UE, que regulará a maneira como empresas como Facebook e YouTube, do Google, policiam os conteúdos ilegais e combatem o discurso de ódio.
A decisão de por Vestager à frente das politicas de concorrência e tecnologia foi a maior surpresa da equipe anunciadas por
Leyen e levanta dúvida sobre como Vestager vai lidar com questões mais politicamente sensíveis do trabalho regulador e antitruste da comissão.
Leyen insistiu que as atribuições ampliadas de Vestager são uma “combinação perfeita” no momento em que a política de concorrência se move para áreas como a de privacidade de dados.
“Vestager tem feito um trabalho incrível como comissária de concorrência. Há um campo enorme para ela. O único aspecto que importa nas nomeações é a qualidade e experiência”, disse Leyen.
Ela amenizou as tensões com Washington. Disse que a Comissão vai “construir uma parceria com os EUA, definir nossas relações com uma China mais autoconfiante e ser um vizinho confiável”.
O ex-premiê italiano Paolo Gentiloni será o novo comissário de Economia da UE. A escolha é controvertida, uma vez que sucessivos governos italianos andam às turras com a UE por causa do cumprimento das regras fiscais.
Leyen disse que o papel de fiscalizar e reformar as regras de orçamento será “dividido” com o letão Valdis Dombrovskis, vice-presidente executivo encarregado de serviços financeiros e do euro.
Sylvie Goulard, da França, vai comandar o esforço da UE de criar uma política industrial que leve à defesa do mercado único.
O holandês Frans Timmermans, será vice-presidente executivo encarregado do lançamento do “New Green Deal” da UE, com políticas para o clima e a sustentabilidade.
A equipe de 27 comissários passará por sabatina e aprovação no Parlamento Europeu e assumirá suas funções em 1o de novembro.
O Reino Unido, que pretende deixar o bloco em 31 de outubro, não indicou nenhum comissário, mas terá de fazê-lo se a saída for novamente adiada. Leyen disse que o Brexit se encontra num “processo difícil”.

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