angela_merkel_notaalta

Eleição de novos líderes social democratas ameaça Merkel

O governo da chanceler Angela Merkel entrou em crise depois que os social – democratas alemães redesenharam o mapa político do país ao eleger uma nova liderança, vista como uma ameaça à sobrevivência da coalizão de Merkel.
Membros do Partido Social-Democrata (SPD) alemão elegeram no sábado dois novos líderes, ambos críticos da coalizão com a legenda da chanceler federal Angela Merkel, a União Democrata Cristã (CDU), o que coloca em xeque o futuro do governo. O SPD anunciou que Norbert Walter-Borjans, ex-secretário de Finanças do estado da Renânia, e a deputada Saskia Esken venceram a eleição para comandar o partido de centro-esquerda, com 53,06% dos votos.
A dupla derrotou o ministro alemão das Finanças, Olaf Scholz, e a colega de chapa Klara Geywitz, favoráveis a manter o SPD na coalizão de governo. Eles obtiveram 45,33% dos votos. O resultado caiu como um duro golpe para Scholz, o mais conhecido dos candidatos e aliado de Merkel.
Walter-Borjans e Esken são apoiados por uma inquieta base do partido, que tem se manifestado contra a aliança com Merkel. Os termos da nova liderança serão
O resultado do pleito também precisa ainda ser confirmado em uma conferência do partido entre 6 e 8 de dezembro. Se Walter-Borjans e Esken forem confirmados como líderes do SPD, sua primeira missão deverá ser decidir se o partido permanecerá em um governo de coalizão com a CDU de Merkel.
É provável que as novas lideranças do Partido Social-Democrata apresentem novas demandas como ir contra a decisão de manter o orçamento equilibrado. Outra proposta pode ser aumentar o salário mínimo.
A escolha das novas lideranças do SPD empurra Merkel para um passo mais perto da renúncia, após 14 anos no poder, e deixa a maior economia da Europa próxima de uma encruzilhada.
O continente enfrenta desaceleração do crescimento econômico e o populismo está em ascensão. Enquanto isso, Merkel foi ofuscada pelo presidente francês Emmanuel Macron e encurralada entre uma administração hostil nos EUA e uma China assertiva.
O resultado da eleição no fim de semana sinaliza uma fase prolongada de incerteza política na Alemanha, o que pode dificultar os esforços da União Europeia para traçar um caminho a seguir após o Brexit e exercer sua influência no cenário global.
Merkel disse no ano passado que não voltaria a competir, mas que pretendia cumprir seu mandato, que se encerra em 2021. Nos próximos dias, ela deve se encontrar com Macron, o presidente Donald Trump e outros líderes da OTAN em Londres. Depois, terá uma reunião com o russo Vladimir Putin, em Paris, para tratar do fim do conflito na Ucrânia. Scholz deve estar em Bruxelas na quarta-feira.
A crise de liderança dos social-democratas alemães foi desencadeada em junho, quando a presidente Andrea Nahles renunciou após o SPD sofrer uma derrota nas eleições europeias. A eleição para a sucessão reabriu uma divisão do partido entre figuras do “establishment” e a esquerda, que desejava sair da coalizão e restabelecer o envolvimento do SPD com sua base, a classe trabalhadora.
Após um ano tumultuado em que o SPD e a União Democrática Cristã de Merkel enfrentaram lutas pelo poder e a atividade econômica começou a esfriar, as elites políticas e empresariais da Alemanha esperavam um período de calma e continuidade.
Merkel fez um apelo incomum para ver a aliança até 2021, dizendo que ainda havia muito a ser feito. Mas Walter-Borjans, que desenvolveu uma boa reputação ao combater desvios tributários, e Esken, que pediu abertamente o fim da coalizão, passaram a representar a insatisfação dos social-democratas, que apontam seu declínio nas pesquisas como resultado do abandono de suas raízes.
Qualquer rompimento pode se tornar um processo prolongado. Além de uma votação direta sobre deixar ou não a coalizão, surgirão outras propostas na convenção do SPD, como estabelecer condições para permanecer.
A líder da União Democrata Cristã (CDU), Annegret Kramp-Karrenbauer, disse aos delegados, durante uma convenção em Leipzig, na semana passada, que se recusaria a renegociar. “Queremos governar bem a Alemanha e, por isso, temos uma boa base com o SPD”, disse o secretário geral da CDU, Paul Ziemiak, após o resultado da eleição partidária.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/12/02/eleicao-de-novos-lideres-democratas-ameaca-merkel.ghtml

Deixe um comentário