De fato, estamos do outro lado do mundo… mas qual lado?

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Clarisse Setyon

Quando os habitantes dos países ditos “desenvolvidos” falam do Brasil, é comum escutarmos que eles gostariam muito de conhecer nossas terras, mas “é muito longe”, literalmente, “do outro lado do mundo”.
É fato … todos os dias lemos nos jornais notícias que nos fazem crer, às vezes, que sequer estamos do outro lado do mundo. Dá mais a sensação que não somos deste mundo.
Não quero falar em política, corrupção, economia, morte infantil, assassinatos bárbaros …
Quero falar de Marketing Esportivo, que é o assunto que me move e sobre o qual ainda tenho esperanças de ver, um dia, a coisa melhorar.
Há pouco tempo atrás tive, finalmente, uma vivência pela qual ansiava. Amigos, conhecidos, alunos falavam, contavam, em detalhes, o prazer que tiveram ao passar pela experiência de um jogo da NBA, ao vivo e em cores.
Fui a um jogo. Sem dúvida: prazer, emoção, alegria. Surgiu até um certo “amor” por um dos times que estavam em quadra. Assim, do nada, virei torcedora.
Porém, mais forte do que estes sentimentos todos, o que ficou foi uma tremenda de uma frustração.
Nós, aqui “do outro lado do mundo” não temos competência de produzir o mesmo tipo de espetáculo ?
Claro que temos. Tenho certeza que temos. Trabalho com eventos (esportivos ou não) há mais de 20 anos. Há muita gente competente por aí.
Mas qual o problema então ? Tenho algumas suspeitas. Um dos problemas é que talvez haja poucos interessados em produzir algo tão estruturado. Projetos estruturados, com muitos parceiros, exigem transparência. Não é uma das qualidades “do outro lado do mundo”.
Um evento destes exige planejamento. Ah … planejamento. Para que planejar ? Na hora a “o outro lado do mundo” dá um jeitinho. Tudo vai dar certo. Relax.
“Do outro lado do mundo” temos uma palavra que, acho, não existe em outra língua: gambiarra.
Em muitos dos eventos para os quais trabalho, até hoje, convivo com gente de todas as nacionalidades. São poucos os que falam português. Entretanto, a palavra gambiarra, faz parte do parco vocabulário que eles levam de volta para seus países, junto com o gosto das caipirinhas, do pão de queijo e do rodízio de carne.
Acho que estamos mesmo é do lado de “fora” do mundo.

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