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Administrando as emoções em tempos de crise

Edmir Kuazaqui

Não é a primeira vez neste ano que um colega de trabalho vem conversar comigo afirmando estar desanimado, que está trabalhando muito e que o tempo disponível não é suficiente para satisfazer as obrigações diárias. Se você acredita que está nesta situação, tome cuidado, pois você pode estar contaminado com um sintoma que boa parte da população brasileira está passando, decorrente da posição na qual a economia e política brasileira estão passando, refletindo nos resultados das empresas e na sociedade. Essa sensação, que na verdade é real, age como impacto do aumento da preocupação com o nosso emprego, as nossas responsabilidades, o cansaço físico e mental decorrente do aumento de trabalho no sentido de suprir a queda de atividades.

Por ser estrutural, essa situação – econômica e política -, não deverá sofrer mudanças positivas no curto prazo, o que não significa dizer que as empresas e pessoas deverão simplesmente se acomodar e se ajustar a esse panorama. Na verdade, a estrutura industrial e de serviços está montada no país, de forma que as empresas podem (e devem) reagir independentemente do cenário ruim na qual o país está inserido.

Na história mundial, reveses desta natureza obrigaram as pessoas a se movimentarem, a repensar processos, a mudar suas práticas no sentido de sobreviverem e, a partir do aprendizado de suas ações, crescer e se desenvolver de forma diferente. Um exemplo que gosto de relatar se refere à economia japonesa, que foi desintegrada ao final da 2ª Guerra Mundial com o lançamento das duas bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, cuja população teve que, conjuntamente com o governo e as empresas, providenciarem práticas norteadas por uma filosofia de sobrevivência que levou o país, nas décadas seguintes, a ocupar a posição na qual atualmente pertence ao mercado chinês.

Guardadas as devidas proporções entre o milagre econômico japonês e a necessidade de ter um milagre brasileiro, é clara e notória a importância das empresas e pessoas no sentido de mudar (e até mesmo transformar) o que está acontecendo no mercado brasileiro e o que deve ser realizado de novo no sentido da manutenção de trabalho, emprego e negócios.

Se os frutos colhidos não forem tão abundantes como em anos anteriores, podemos repensar como transformar o que era desperdiçado em tempos de bonanças em produtos e serviços inovadores a partir do empreender e do criar. Desta forma, ao invés de simplesmente fazer negócios, talvez a ideia norteadora de nossas ações seja como fazer os negócios de forma diferente. Esse fazer diferente requer uma mudança principalmente comportamental, de forma a fazer entender que as coisas podem ser realizadas de forma diferente e não necessariamente com menor rentabilidade.

Conversando com alguns taxistas, boa parte destes, informam que deixaram a alimentação fora do lar, pelo aumento do custo das refeições e a queda da receita decorrente das corridas. Efetuam a alimentação em casa, por vezes com os familiares que antes, não desfrutavam de sua companhia. Por outro lado, perceberam que tinham em alguns momentos certo nível de ociosidade, que hoje é compensada por um planejamento diário, visitas programadas e agendadas, além da migração para outros meios de comunicação, como por exemplo, os aplicativos, bem como meios de pagamento, como o aceite de cartões de crédito.

Desta forma, para aqueles que entendem que pode mudar, a condução do processo de mudanças e transformações pode ser algo menos doloroso e com possibilidades de colheitas mais significativas. Ou ser levado pela maré, que nem sempre é favorável ao surfista e sofrer as consequências dessa atitude. É tudo um estado de espírito. E sem esperar por milagres.

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