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Tsipras, o grego briguento, volta ao poder

Um mês depois de renunciar ao cargo de premiê, Alexis Tsipras, 41, está de volta ao poder na Grécia. Seu partido de esquerda, Syriza, venceu a eleição deste domingo (20) para conduzir as medidas de austeridade negociadas pelo próprio Tsipras com os credores internacionais em troca do socorro de € 86 bilhões.

Com 35,47% dos votos, o Syriza bateu o conservador Nova Democracia, que obteve 28,09% e disputou com o líder Vangelis Meimarakis, 51.

Tsipras celebrou com o discurso de que, agora, terá força política para governar por quatro anos após sete meses de um governo instável, como mostrou matéria de Leandro Colon, na Folha de São Paulo de 21/09.

“O povo grego nos deu um mandato para dar fim a esse sistema corrupto e continuar o trabalho que começamos em janeiro”, disse aos eleitores em Atenas.

O resultado representa o seu retorno, mas não alivia a crise econômica da Grécia, e indica uma desilusão dos gregos na escolha dos governantes: a taxa de comparecimento às urnas ficou em 56,5%, abaixo dos 63,6% da eleição de janeiro.

A campanha de quatro semanas não atraiu interesse da população diante da opção entre dois partidos que sucumbiram às exigências externas de rigidez fiscal.

Essa eleição, a quinta em seis anos, transformou-se apenas na escolha de quem vai implementar cortes em uma economia fragilizada, com taxa de desemprego de 25%, dívida pública de 177% do PIB, sem perspectivas de recuperação no curto prazo.

O resultado foi celebrado por lideranças europeias, preocupadas, na verdade, com o cumprimento por parte do governo grego das medidas acertadas em julho.

O presidente do Parlamento Europeu, o alemão Martin Schulz, parabenizou Tsipras, mas destacou a necessidade de um “governo sólido” –mesmo tom adotado pelo presidente do Eurogrupo, o holandês Jeroen Dijsselbloem.

Eleito em janeiro numa votação inédita, Tsipras convocou novas eleições após a perda de apoio de quase um terço dos deputados do seu partido insatisfeitos com a negociação do novo resgate. Esse grupo fundou uma nova legenda, Unidade Popular, que fracassou nas urnas.

A aposta de Tsipras era recuperar cadeiras para o Syriza e retornar com maioria consolidada no Parlamento para conduzir o ajuste fiscal. Com a oposição incapaz de convencer de que era melhor opção, o plano deu certo.

O Syriza deve ter 145 das 300 cadeiras do Parlamento –pelas regras, 250 são distribuídas de acordo com a votação e as demais 50 são entregues como um “extra” ao partido que ficar em primeiro lugar no placar geral. O Nova Democracia ficaria com 75, segundo a apuração de 99,44% das urnas até a conclusão desta edição.

Os Gregos Independentes, legenda de direita que se aliou a Tsipras em janeiro, obteve dez cadeiras e anunciou que continua na coalizão. O Syriza discute ainda se aliar a outras legendas menores.

Tsipras assumiu em janeiro sob o discurso contrário às medidas de austeridade adotadas desde 2010, quando a Grécia quase veio à falência.

Ele, porém, não conseguiu enfrentar os credores nem implantar programas. Deu calote no FMI, impôs controle de capital à população e realizou plebiscito às pressas em que 61% dos gregos votaram contra a negociação. No fim, aceitou o resgate em troca de compromissos tributários e previdenciários.

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