paywall

Publicidade digital? Novo modelo de negócios passa pelo “poroso”…

O tempo do “grátis” para a mídia digital está no fim. A cobrança por conteúdo on line avança no mundo inteiro. Grandes jornais que pensavam duas vezes para cobrar dos leitores o acesso aos seus sites, já mudaram de ideia. Tanto nos Estados Unidos, como na Europa ou na Ásia, o modelo do “paywall”, uma espécie de cobrança seletiva para ler as notícias, começou a ser cada vez mais usado. E, todos os jornais reconhecem que usam o modelo para tentar compensar a perda de receita com seus produtos impressos.
O motivo não está na oferta de conteúdo, mas nos problemas enfrentados pela publicidade on line, como mostrou matéria do The New York Times, traduzida no Estadão de hoje, pg B22. Antes, o anúncio on line era considerado a “grande esperança do futuro”, mas começou a estagnar exigindo a realização de novo modelo de negócios paralelo ao uso da internet. O analista da Enders Analysis, consultoria internacional especializada com sede em Londres, foi bem claro ao reconhecer os problemas do setor: “as perspectivas da publicidade digital para todos os sites, com exceção dos muito grandes, parecem cada vez mais complicadas, portanto é crucial que os serviços de notícias experimentem outros modelos de assinaturas”.
Praticamente todos os jornais tentam usar o modelo que faz uma transição entre o gratuito e o on line pago. Em todas as grandes publicações, o modelo preferido para pagamento digital é o “modelo poroso”, quando os visitantes casuais de um site de jornal não pagam, mas se ultrapassam determinado número de artigos por mês, por exemplo, passam a ter que pagar.
O principal motivo para o uso deste modelo é a venda da publicidade digital. O modelo foi introduzido pelo Financial Times e depois usado pelo New York Times. A razão dessa escolha é simples: permite que jornais on line mantenham um público leitor amplo, imprescindível pata vender publicidade digital, obtendo ao mesmo tempo nova receita dos leitores mais fieis.
O New York Times adotou o novo modelo, o poroso há dois anos e comunicou ter atingido 640 mil leitores pagantes para as suas versões digitais no final do ano passado. Não foi diferente com jornais europeus e asiáticos. Inclusive, o South China Morning Post, de Hong Kong, que durante anos operou um modelo bem rígido obrigando o leitor digital a pagar por qualquer consulta, mudou de ideia e adotou o modelo poroso. Não há dúvida que a mídia digital e a sua publicidade, só tem esse caminho para a transição do impresso para o on line.

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