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Por crescimento, FMI pede a ricos que gastem mais

A recuperação da economia global está fraca e medidas protecionistas podem piorar ainda mais esse cenário, advertiu ontem a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde. Em evento na Universidade Northwestern, em Chicago, ela ressaltou que a perspectiva geral de crescimento permanece desanimadora “especialmente para as economias avançadas”. “Continuamos a enfrentar o problema de o crescimento estar muito baixo por muito tempo, beneficiando poucos”, declarou.

O alerta de Lagarde foi dado justamente no momento em que a campanha eleitoral americana flerta com o protecionismo e depois de o Reino Unido votar a favor da saída da União Europeia. O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, quer não apenas rever os tratados internacionais de comércio como também defende a construção de um muro na fronteira contra o México e o aumento das tarifas sobre produtos chineses. A candidata democrata, Hillary Clinton, defendeu a revisão de acordo comerciais, como a Parceria Transpacífico (TPP), como mostrou material de Juliano Basile no Valor de 29/09.

Na semana que vem, o FMI vai realizar a sua reunião anual, com a presença de líderes do mundo todo e a expectativa é a de que a instituição faça novas advertências para a necessidade de os países se abrirem para o comércio, e não adotarem medidas protecionistas. “Restringir o comércio e limitar a abertura da economia certamente vai piorar a perspectiva de crescimento para o mundo e especialmente para os cidadãos mais desfavorecidos”, enfatizou Lagarde.

Outra medida que, segundo ela, favoreceria o crescimento é a ação articulada de políticas fiscal e monetária com a promoção de investimentos. “Através de políticas monetária, fiscal e estrutural, de maneira coordenada, nós podemos tornar maior a soma das partes.

Ontem, o FMI divulgou um estudo sobre medidas de gerenciamento macroeconômico em espaço fiscal limitado e a conclusão da instituição foi a de que é necessária uma ação coordenada entre as maiores economias do mundo de maneira a auxiliar o desenvolvimento de políticas locais e garantir efeitos de contágio positivos na economia global. “A coordenação internacional de estímulos fiscais e monetários pode impulsionar o Produto Interno Bruto global”, diz o documento assinado pelo economista-chefe do FMI, Maurice Obstfeld, e pelos diretores do Departamento de Assuntos Fiscais, Vitor Gaspar, e do Departamento de Mercado de Capitais e Monetário, Ratna Sahay. Segundo eles, há espaço para o desenvolvimento de políticas efetivas que devem ser utilizadas de forma apropriada dependendo da situação dos países.

Quando a política monetária está limitada, a política fiscal pode fornecer apoio, disse o Fundo. Já a política monetária mais acomodatícia pode prevenir um deslocamento da resposta expansionista fiscal a choques negativos.

Segundo o Fundo, há países que ainda têm espaço para estímulos fiscais, especialmente num ambiente de taxas de juros de longo prazo extremamente baixas. Outras nações, no entanto, estão com o espaço para manobras fiscais muito reduzido – caso das exportadoras de commodities. “Estruturas de políticas consistentes conseguem ancorar as expectativas de longo prazo e permitem acomodações de curto e médio prazo quando necessário”, diz o FMI.

A previsão de crescimento do PIB dos Estados Unidos deverá ser revisada para baixo no relatório Panorama da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês) que será divulgado na próxima terça-feira. “A economia americana está se recuperando há algum tempo, mas sofreu um revés na primeira metade deste ano, o que vai levar a um rebaixamento na previsão para os Estados Unidos”, disse Lagarde.

Na última estimativa, que foi divulgada em julho, a perspectiva do FMI foi de que a economia americana iria crescer apenas 2,2% em 2016. O percentual foi menor do que os 2,4%, previstos em abril. De maneira geral, as economias avançadas sofreram um rebaixamento de 0,1 ponto, indo de 1,9%, em abril, para 1,8%, em julho. Nos países emergentes, a projeção entre abril e julho foi mantida em 4,1%.

Já a economia brasileira mostra sinais de evolução, apontou Lagarde. Ela situou o Brasil e a Rússia como países emergentes que estão dando indicativos de melhorias “após um período de contração severa”. Lagarde não indicou números para o crescimento da economia brasileira, o que será feito na semana que vem, durante a reunião anual do FMI. No último relatório da instituição, que foi divulgado em 19 de julho, a projeção do país para 2016 foi de queda de 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Para 2017, a perspectiva era de crescimento de 0,5%.

A diretora-gerente avaliou que a perspectiva dos países emergentes ganhou “algum otimismo”. “Depois de conduzirem a recuperação global desde a crise financeira de 2008, esses países vão continuar a contribuir em mais de três quartos do total do crescimento global neste ano e no próximo”, disse.

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