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Paris vai servir água de torneira na CoP 21

A novidade assustou. Os milhares de participantes da Conferência do Clima das Nações Unidas, a CoP 21, em Paris, serão incentivados pelo governo francês a beber água de torneira. No total, 36 mil cantis de plástico ecológico serão oferecidos, inclusive aos líderes dos 195 países presentes, para evitar a utilização de dois milhões de copos descartáveis. Os recipientes poderão ser abastecidos nas dezenas de bebedouros instalados especialmente para o evento, que ocorre de 30 novembro a 11 de dezembro.

O uso de água de torneira é apenas uma das inúmeras iniciativas do governo francês para limitar o consumo de energia e a emissão de gases do efeito estufa na CoP 21. Para obter um acordo climático “ambicioso” e que produza imposições legais, como defende o presidente François Hollande, a França afirma querer “dar o exemplo” organizando uma conferência ecorresponsável, baseada na economia circular, onde nada se perde e tudo se transforma.

Isso já começa nas sacolas de “boas-vindas”, fabricadas com antigas malhas de lã recicladas, que serão entregues aos participantes. O objetivo é “zero lixo e zero desperdício”, segundo os organizadores. Pela primeira vez em reunião desse tipo, haverá um centro de pré-triagem do lixo antes do envio para unidades de reciclagem, como mostrou material do Valor, assinada por Daniela Fernandes, publciada na edição de 12/11, pg A17.

“A França será exemplar para incentivar os demais países a se engajarem contra o aquecimento global”, afirma Ségolène Royal, ministra francesa do Meio Ambiente. Com 180 mil m2, o local onde ocorrerá a conferência, ainda em obras até o dia 20, o Centro de Exposições Le Bourget (cerca de dez quilômetros ao norte de Paris), também foi planejado para ter um impacto ambiental limitado.

O Le Bourget, onde é realizado o salão internacional da aviação, se transformará em uma minicidade por duas semanas. São esperadas 50 mil pessoas, entre elas 10 mil membros de delegações de países e 3 mil jornalistas. A sala plenária onde ocorrerão as negociações, construída com 900 árvores de floresta francesa com manejo sustentável, é totalmente desmontável e será reutilizada em outros eventos, informa o governo.

Uma parte da energia elétrica no local será eólica. O aquecimento será fornecido com uma nova caldeira a gás da Engie (ex-GDF Suez) que emite 20% menos de CO2, de acordo com os organizadores. As refeições serão preparadas com ingredientes da estação e de fornecedores locais para evitar distâncias suplementares.

A prioridade também é dada ao uso dos transportes públicos. Para isso, o governo francês vai fornecer 20 mil passes (válidos durante todo o evento) aos participantes. Os ônibus que farão o trajeto até o Le Bourget e dentro da área do evento são híbridos (80% elétricos).

Haverá ainda um sistema de carona compartilhada para membros das delegações oficiais: a Aliança Renault – Nissan colocou à disposição uma frota, com motoristas, de 200 carros 100% elétricos, que passarão por alguns pontos da capital. Os lugares podem ser reservados em um site.

Há outras medidas, como o uso de 100% de papel reciclado e que terá nova reciclagem após a conferência. Com todas essas iniciativas, o governo francês espera que a CoP 21 obtenha o certificado IS0 201121 (norma internacional de desenvolvimento sustentável), certificação inédita para um evento desse porte.

Para que a CoP 21 seja neutra em carbono, a França vai compensar as emissões de CO2 geradas na reunião financiando um ou mais projetos de redução de gases do efeito estufa em países em desenvolvimento.

Um dos objetivos é limitar ao máximo o uso de plásticos, mas no Le Bourget os restaurantes venderão garrafas de água mineral para quem não quiser consumir a de torneira, que passou a conter mais cloro por causa da CoP 21, em razão do alerta máximo, ainda em vigor, contra atentados terroristas. A ideia dos cantis é um gesto “simbólico”, como diz uma fonte ligada à diplomacia francesa. “Sabemos que certas delegações não vão aderir a isso”, afirma.

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