No Facebook, nova missão é conquistar as companhias

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Com a popularidade crescente das redes sociais, muitas companhias passaram a observar mais de perto os hábitos de navegação dos funcionários para evitar que eles passem tempo demais nesses sites, com prejuízo da produtividade. Se depender do Facebook, no entanto, os empregados vão passar cada vez mais tempo na rede social durante o horário de trabalho – e sem que os chefes reclamem.

Há um ano, a companhia lançou o Workplace, uma versão praticamente idêntica de seu site principal, mas voltada às necessidades das companhias. Agora, está acrescentando novas funções ao serviço, numa prova de que a iniciativa ganhou força na corporação. Uma das novidades, que serão apresentadas hoje, é um renovado serviço de chat, para que as pessoas possam trocar informações mais rapidamente, como mostrou matéria de João Luiz Rosa, publicada no Valor de 26/10.

“A aceitação [do Workplace] vai muito bem”, diz o francês Julien Codorniou, vice-presidente do Facebook e chefe global do projeto. “Hoje temos 30 mil empresas usando o serviço em 70 países. Há seis meses, eram 14 mil. Então, estamos dobrando [a base] a cada semestre.”

A mudança do perfil etário dos funcionários interessa especialmente ao Facebook. Em 2020, diz Codorniou, 50% da força de trabalho global será ocupada pelos Millenials, as pessoas nascidas entre 1980 e o início dos anos 2000. Para essa geração, é mais natural comunicar-se pelas redes sociais do que pelas ferramentas correntes nos escritórios, como o correio eletrônico. “Eles usam primeiro vídeos, fotos ou transmissões ao vivo. Não têm interesse por intranets ou e-mails.”

O formato de rede social também se adapta mais facilmente a outra característica dos millenials, afirma o executivo: o interesse dessa geração em ser ouvida e dar ideias para as empresas nas quais trabalham. É uma via de mão dupla, diz Codorniou, porque, cada vez mais, a alta gerência das companhias também quer saber o que os funcionários pensam, sem filtros hierárquicos.

O mercado de sistemas de comunicação para empresas é disputado por grandes grupos de tecnologia e internet, além de empresas mais segmentadas, todas explorando o modelo de software como serviço, por intermédio da nuvem. Na lista, entre outras, estão Microsoft, Google, Salesforce, Box e Dropbox.

Com 2 bilhões de pessoas familiarizadas com seu site no mundo, 120 milhões no Brasil, o Facebook acredita ter uma vantagem porque o Workforce não requer treinamento, já que funciona de maneira semelhante ao serviço original. “Quando empresas como Walmart ou Pernambucanas adotam o produto, os funcionários nas lojas sabem imediatamente como usá-lo”, afirma o executivo, citando dois clientes. A empresa não divulga o faturamento obtido com o Workplace, nem o número de usuários. Entre outras marcas que já aderiram estão Netshoes, Starbucks e Danone. Até agora, mais de um milhão de grupos foram formados dentro do Workplace, mundialmente.

Codorniou também vem fechando acordos com os concorrentes para integrar as tecnologias e permitir que os clientes usem vários sistemas simultaneamente. A ideia é criar um ecossistema forte, em que as inovações não venham necessariamente dos laboratórios do Facebook, mas de programadores independentes.

A ideia principal é simplificar a administração, sem restrição de uso do serviço entre os funcionários, o que significa chegar ao chão de fábrica e a trabalhadores braçais, dependendo da atividade da companhia. “Nem todos na empresa ficam diante da tela de um computador, mas todos têm um celular”, diz o brasileiro Antonio Schuch, diretor do Workplace para América Latina. “Pelo smartphone, um operário pode entrar no Workplace e marcar suas férias, enquanto caminha pela fábrica.”

Outro exemplo é a tradução automática de uma mensagem para outros idiomas, uma forma de facilitar a comunicação entre funcionários de multinacionais que não dominam as línguas dos colegas de escritórios internacionais.

O lançamento do Workplace foi visto por muitos como uma forma de o Facebook criar um serviço pago, diversificar as fontes de receita e reduzir a dependência da publicidade. “Penso nele como uma startup dentro do Facebook, como são o WhatsApp, o Instagram e o Messenger”, diz Codorniou.

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