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Mulheres pedem diversidade na tecnologia

Oito executivas de empresas do Vale do Silício criaram iniciativa ‘Project Include’, que vai estimular a igualdade de gênero no setor. Como?  Ellen Pao passou os últimos anos chamando a atenção para o problema da falta de diversidade no setor de tecnologia, problema que ela chegou a levar para o tribunal.

Erica Baker provocou um alvoroço no Google no ano passado, quando criou uma planilha para os funcionários informarem seus salários, com o fim de destacar as disparidades salariais entre homens e mulheres que realizavam tarefas iguais. Laura Gómez fundou uma startup com a meta de melhorar a questão da diversidade no processo de contratação.

Agora, as três, junto com outras cinco mulheres de empresas do Vale do Silício – como Pinterest e Slack – lançaram a iniciativa “Project Include” para coletar dados que podem ajudar a diversificar os empregados das empresas de tecnologia, como mostrou matéria do The New York Times, assinada por Mike Isaac, publicada no Estadão de 7/05 pg B14.

“O lema em todas as companhias no campo da diversidade é ‘não temos agido certo, mas estamos trabalhando no assunto’”, disse Ellen Pao, ex-capitalista de risco da Kleiner Perkins Caufield & Byers, que processou a empresa acusando-a de discriminação de gênero e perdeu a ação.

A iniciativa desse grupo é uma das mais visíveis partindo de mulheres do Vale do Silício à medida que as empresas de tecnologia são criticadas pela composição de seu quadro, normalmente constituído apenas de homens e brancos. Nos últimos anos empreendedoras do setor como Kimberly Bryant, do Black Girls Code, e Laura Weidman, do Code 2040, vêm promovendo a inclusão de mulheres jovens e minorias no ensino de ciência da computação.

O Project Include se destaca por causa do número de mulheres bem conhecidas do setor que têm defendido a diversidade e que agora se unem ao redor do tema. Ellen Pao, por exemplo, foi notícia no ano passado por causa da ação judicial impetrada contra a Kleiner Perkins e da sua demissão como diretora executiva interina do fórum Reddit. Tracy Chou, engenheira de software do Pinterest, também fundadora do Project Include, tem sido uma das engenheiras mais combativas no tocante à falta de pares do sexo feminino.

Outras mulheres que integram o Project Include são Freada Kapor Klein, sócia do Kapor Center, que batalha há muito tempo em favor da inclusão no setor; Susan Wu, da startup de pagamentos por celular Stripe; Y-Vonne Hutchinson, da empresa de consultoria ReadySet; e Bethanye McKinney Blount, ex-executiva do Reddit. Todas trabalham no Project Include fora dos seus respectivos empregos, no seu tempo livre.

Pacto. O grupo planeja conseguir um compromisso das empresas de tecnologia de que passarão a fazer um monitoramento da sua respectiva mão de obra e compartilhar dados com outras startups. O trabalho se concentrará nas startups que empregam de 25 a 1.000 pessoas, na esperança de incentivar as companhias a refletirem sobre a questão da igualdade. O projeto também deve buscar a participação de empresas de capital de risco que assessoram e orientam as startups.

A meta do projeto é contar com 18 companhias num primeiro grupo; algumas já se inscreveram. O grupo se reunirá regularmente durante sete meses para definir e traçar o método específico de cálculo. No fim desse período será publicada uma série de resultados que mostrarão o progresso, ou não, da iniciativa.

“Se as companhias começarem logo a atacar a questão da diversidade e inclusão, não necessitarão agir às pressas mais tarde, o que é muito mais complicado”, disse Baker, antiga engenheira do Google, que agora trabalha no Slack, plataforma de mensagens para empresas.

A iniciativa do grupo tem em vista acabar com a lentidão das mudanças. Grandes empresas, incluindo Google, Facebook e Microsoft, reconhecem abertamente suas falhas nesse campo e algumas implantaram programas com esse enfoque, mas, ao que parece, as opiniões não sofreram mudanças. “Apesar de uma avalanche de dados minuciosos mostrando o contrário, a crença na meritocracia persiste”, disse Kapor.

Muitas das mulheres envolvidas no Project Include já vinham liderando iniciativas na área da diversidade antes de colaborarem neste projeto. Em 2015, por exemplo, Ellen Pao tornou-se uma espécie de ímã para mulheres que foram privadas dos seus direitos por questões de desigualdade de gênero depois da ação que ela moveu contra a Kleiner Perkins.

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