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Microsoft quer se misturar, abrir programas e sistemas para rivais

O caminho é se aproximar dos inimigos. A Microsoft anunciou na quarta-feira que usuários poderão ter acesso a aplicativos destinados ao Android do Google e ao iOS da Apple nos dispositivos da empresa. Os desenvolvedores agora poderão reutilizar o código de aplicativos para plataformas mais populares – como o jogo Candy Crush, da desenvolvedora King, por exemplo – e depois torná-lo um aplicativo para a Microsoft.

A medida é a mais recente indicação de que o diretor executivo, Satya Nardella, pretende tornar sua Microsoft mais flexível e mais humilde. Sua visão da companhia tem mais a ver com a possibilidade de ter influências em variadas áreas de operações, do que dominar cada mercado individualmente, como mostrou material do The Washington Post, assinada por Heyley Tsukayama, publicada pelo Estadão de 1/05, pg B12.

De certo modo, a gigante tecnológica quer chegar aos consumidores e às empresas onde eles se encontram – e, pelo menos no mundo da telefonia celular, nem sempre será em dispositivos Microsoft. Por isso, em vez de continuar prendendo indissoluvelmente seu software e hardware – estratégia que somente a Apple conseguiu aplicar com sucesso de maneira sustentada – a Microsoft quer ser o lugar ao qual o usuário recorre quando quer abandonar o tradicional. A companhia anunciou também que tornará mais fácil carregar o código dos aplicativos da Internet e do computador de mesa para o Windows 10.

Numa apresentação durante a conferência de desenvolvedores da companhia em San Francisco, Nadella se referiu à nuvem, aos aplicativos para celulares e ao Microsoft Office como os três pilares do seu projeto para tornar a Microsoft o lugar mais procurado. Na conferência, desenvolvedores e gerentes de projetos apresentaram programas da Microsoft, inclusive alguns do seu importante Office suite, que rodam nos Macs e no Linux.

A gigante da tecnologia acaba de registrar um trimestre forte em que superou as expectativas dos analistas em termos de faturamento e lucro, em grande parte graças ao sucesso da empresa na área de computação em nuvem, o departamento que Nadella dirigia antes de assumir o posto mais alto, no ano passado.

Mas mesmo nesta área crucial, na qual a Microsoft enfrenta Google, IBM e Amazon, Nadella deixou claro que está satisfeito por ter conseguido fazer com que a Microsoft possa coexistir com outros serviços, em lugar de tirar os outros concorrentes do caminho. Numa reunião com analistas na semana passada, respondendo à pergunta se estava preocupado com o Amazon Web Services, Nadella enfatizou que muitos clientes usam este serviço juntamente com o Azure da Microsoft. (O fundador da Amazon, Jeff Bezos, é também o proprietário do jornal Washington Post.)

A notícia referente ao Android não foi o único tema surpreendente na conferência. A Microsoft anunciou o nome de seu novo navegador da Internet, o Microsoft Edge, que substituirá o Internet Explorer. Os óculos de realidade virtual da companhia, os HoloLens, foram novamente apresentados com um grande demo para ilustrar como os usuários podem “captar” hologramas e colocá-los sobre qualquer superfície. A companhia destacou o valor das HoloLens para determinadas atividades – particularmente no caso de arquitetos e engenheiros – e exibiu os óculos trabalhando com um robô físico aumentado holograficamente. O grande diferencial do dispositivo e que chamou a atenção durante a exibição foi a boa integração realizada pelo óculos entre o ambiente real e virtual, conectando-os perfeitamente..

A Microsoft destacou também a flexibilidade do Windows 10, que visa facilitar o trabalho de programas em desktops e em celulares. A companhia não anunciou uma data para o lançamento do Windows 10, mas prevê que o sistema estará em 1 bilhão de dispositivos daqui a dois ou três anos.

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