Inteligência artificial renova estratégia de investimentos

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A inteligência artificial foi usada pelo fundo hedge Winton, de Londres, para pôr à prova um velho princípio do presidente do conselho de administração do Berkshire Hathaway: o de que as grandes aquisições normalmente prejudicam os acionistas das empresas compradoras.
Pesquisadores reuniram e analisaram dados sobre quase 9 mil fusões e aquisição nos EUA desde a década de 1960. Resultado: o Winton diz que a tese de Buffett não se sustenta – as grandes aquisições não destroem valor,
“Isso evitou que operássemos com base em um sinal falso e que, potencialmente, perdêssemos dinheiro”, disse Daniel Mitchell, que comanda uma equipe de cientistas de dados no fundo hedge, que administra US$ 30 bilhões,como mostrou matéria publicada no Valor de 06/12
Pouco a pouco, a inteligência artificial tem mudado a cara da indústria de investimentos. Gestoras de ativos como a Two Sigma e o Goldman Sachs adotaram essa estratégia como ferramenta de pesquisa. A pergunta é o quão longe a inteligência artificial irá?
Luke Ellis, do Man Group, vê a lenta aproximação de uma tomada de poder. A empresa já dedica cerca de US$ 13 bilhões a vários fundos que usam aprendizagem de máquina. Dentro de dez anos, a inteligência artificial vai desempenhar um papel predominante em tudo o que o Man faz, desde transações até a escolha de papéis, disse Ellis, seu executivo-chefe.
O número de vítimas humanas pode ser grande: 90 mil postos de trabalho em gestão de ativos, incluindo gestores de fundos, analistas e equipes de apoio, de um total mundial de 300 mil, desaparecerão em consequência da inteligência artificial, segundo estimativas da consultoria Opimas.
Há poucos cientistas capazes de criar estratégias lucrativas com essa tecnologia. O alto custo ainda é um ônus para empresas que já sofrem com pressões de custo devido ao crescimento dos fundos passivos. Mas a facilidade com que as máquinas encontram oportunidades de investimento para além do alcance dos seres humanos torna essa tecnologia atraente demais para ser ignorada. As empresas já utilizam a inteligência artificial para analisar dados de mídia social com o objetivo de prever resultados de empresas e de vendas.
As estratégias de inteligência artificial também têm de fazer frente às investidas do investimento passivo, num momento em que BlackRock e Vanguard Group rumam para a gestão de US$ 20 trilhões. Fundos de índice e fundos inteligentes, conhecidos como “smart-beta”, ameaçam acabar, por meio da arbitragem, com a dianteira da inteligência artificial na garimpagem de ações de empresas com alto potencial de crescimento.
Os investidores, fartos dos anos de desempenho medíocre dos fundos, estão aderindo. Os ativos aplicados em fundos pautados por métodos quantitativos, muitos dos quais empregam inteligência artificial, dispararam 86%, para US$ 940 bilhões, desde 2010.
Para o bem ou para o mal, os gestores de fundos e suas óticas do mercado terão papel de destaque na era da inteligência artificial. Analistas fundamentalistas enfrentam uma ameaça maior.
As gestoras, às vezes, remuneram com quase US$ 1 milhão ao ano especialistas com experiência em aprendizagem de máquina capazes de usar “big data”. Isso deixa menos dinheiro para os analistas que pesquisam os fundamentos econômicos das empresas. Eles poderão ter de aprender a escrever ou revisar programas de computador para salvar seus empregos.
“Na medida em que as gestoras ativas forem obrigadas a gastar mais dinheiro com engenheiros, diante da queda de suas receitas, elas serão obrigadas a reduzir os gastos com analistas”, disse Martin Taylor, que fechou seu fundo de hedge Nevsky Capital no ano passado em vista da concorrência das gestoras adeptas dos métodos quantitativos.
Em última análise, o futuro da inteligência artificial vai depender de sua capacidade de ganhar dinheiro. O pequeno grupo atual de estratégias totalmente automatizadas está a postos para uma largada regular. Seu desempenho supera o setor de fundos hedge como um todo, mas não as bolsas de valores. Treze fundos de inteligência artificial subiram uma média de 10,6% anuais em seis anos, até o fim de 2016, e 8,5% até o fim de outubro, de acordo com um índice da Eurekahedge. O mesmo vale para garimpeiros de ações da velha guarda, que sempre terão emprego enquanto produzirem retornos para os investidores.
A inteligência artificial pode ter derrubado um dos pilares de Buffett. Mas, face ao rendimento de 12,5% gerado anualmente pelo Berkshire de 2011 até 2016 inclusive, as máquinas ainda não superaram o legendário investidor.

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