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Grécia cede e acordo com União Europeia fica mais perto

A pressão funcionou. A Grécia manteve viva a esperança de firmar um acordo de última hora com seus credores para evitar um calote. O governo grego apresentou ontem suas primeiras concessões significativas após meses de negociações infrutíferas.

As propostas do governo surgiram tarde demais, e destituídas de detalhamento suficiente, para permitir que se chegasse a um acordo definitivo na reunião de cúpula emergencial de líderes da União Europeia, realizada na noite de ontem. Mas os líderes comemoraram a sua formulação como base para novas conversações, marcadas para esta semana, em torno de um acordo destinado a liberar € 7,2 bilhões em recursos de socorro financeiro à Grécia, desesperadamente necessaries, como mostrou material do Financial Times, assinada por Peter Spiegel e Anne-Sylvaine Chassany, publicada no Valor de 23 de junho, pg A9.

Donald Tusk, presidente do Conselho Europeu, disse que Atenas concebeu “suas primeiras propostas verdadeiras em muitas semanas”, enquanto Jeroen Dijsselbloem, que chefia o grupo de ministros das Finanças da zona do euro, qualificou o gesto da Grécia como “passo positivo”.

As bolsas subiram em meio a esperanças de um avanço radical. O principal índice de ações de Atenas fechou com alta de 9%, e os papéis dos bancos gregos dispararam 20%. O índice pan-europeu FTSE Eurofist 300 subiu 2,4%.

As propostas apresentadas pela Grécia chegaram na manhã de ontem, após Atenas ter enviado, inadvertidamente, a minuta errada na noite de domingo. Dijsselbloem disse que elas chegaram tarde demais para serem plenamente avaliadas pelos três monitores da operação de socorro financeiro, o que impediu que se aventasse a um acordo ainda ontem. Será necessário um novo encontro do eurogrupo para concluir qualquer pacto.

Alguns membros da zona do euro continuam profundamente céticos sobre as chances de um acordo. Wolfgang Schäuble, da Alemanha, e Michael Noonan, da Irlanda, pressionaram pela redução da liquidez emergencial para os bancos gregos caso não haja imposição de controles de capital, disse uma das autoridades.
Pessoas que tiveram acesso ao mais recente plano da Grécia disseram que o país propôs novos cortes no gasto do sistema de aposentadorias – o maior motivo de impasse – que alcançarão cerca de 0,4% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano e pouco mais de 1% no ano que vem. Mas essas economias ficam aquém da poupança de 1% para este ano e para o ano que vem exigida pelos credores.

Essas economias dependem também do aumento da contribuição dos empregadores, um fator que, juntamente com as pretendidas alterações dos impostos incidentes sobre os lucros das empresas, poderá comprometer o crescimento da economia, segundo temem algumas autoridades ligadas aos credores.

As duas partes, além disso, continuam discordando com relação às alíquotas do imposto sobre valor agregado que incidirão sobre a energia elétrica e os alimentos processados.

Segundo autoridades presentes à reunião do eurogrupo, Christine Lagarde, a presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), mostrou-se especialmente inflexível.

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