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Grandes marcas saem do You Tube e Google se desculpa

O chefe das operações europeias do Google desculpou-se publicamente com seus anunciantes, depois da escalada da crise sobre conteúdo extremista no YouTube ter levado grandes marcas como a varejista inglesa Marks & Spencer e a agência de publicidade Havas a suspender seus anúncios no Google.

“Quero começar dizendo que sinto muito”, disse o presidente de negócios do Google na Europa, Oriente Médio e Ásia, Matt Brittin, na conferência Advertising Week Europe. “Pedimos desculpas. Quando algo assim acontece, assumimos responsabilidade por isso.”

Apesar das desculpas públicas, ele recusou-se reiteradamente a responder como o Google vai exatamente administrar o escândalo. Na semana passada, uma reportagem investigativa do jornal londrino “The Times” revelou que anúncios patrocinados pelo governo do Reino Unido e por marcas como Sainsbury’s e L’Oréal foram exibidos ao lado de conteúdo inapropriado no YouTube, como mostrou artigo do Financial Times, assinado por Madhumita Murgia e David Bond, publicado no Valor de 21/03.

Entre o material havia vídeos gravados pelo nacionalista americano defensor do separatismo branco David Duke, por um egípcio defensor do terrorismo e pelo pastor fundamentalista cristão Steven Anderson, que já elogiou o assassinato de homossexuais.

Brittin dividiu o palco da conferência, ontem, com Keith Weed, diretor de marketing da Unilever, um dos maiores anunciantes do Google no mundo. “Nossa equipe falou com muitas das marcas afetadas e muitas marcas estão preocupadas”, disse Brittin.

O Google anunciou que vai modificar suas políticas de anúncios e a forma como controla e coloca no ar anúncios em suas plataformas de forma apropriada.

Mais especificamente, o Google prometeu que vai exercer mais controle sobre os lugares em que os anúncios são inseridos e que vai melhorar a fiscalização de conteúdos questionáveis. São esperados mais detalhes nesta semana sobre essas mudanças.

Atualmente, o Google apenas revisa o conteúdo que é denunciado como inapropriado por seus usuários. A empresa apontou o enorme volume de vídeos carregados no YouTube – 400 horas por minuto – como motivo pelo qual não policia todo o conteúdo de forma proativa. Cerca de 98% do material denunciado no YouTube é revisado em 24 horas, segundo o Google.

“Sabemos que podemos fazer ainda mais aqui”, disse Brittin, acrescentando que o Google investiga novas formas para lidar mais rapidamente com as queixas. Brittin também disse que o Google busca modificar os controles que proporciona aos anunciantes e agências, tornando mais fácil e simples para as marcas controlarem exatamente onde seus anúncios foram inseridos.

O Google pretende reescrever suas políticas de vídeos e sites nos quais é possível anunciar, aumentando o rigor, por exemplo, sobre vídeos com comentários polêmicos e discursos de ódio.
Brittin disse que as ferramentas do Google funcionam bem “na maioria das situações”, destacando que o problema se limitou a um “punhado de impressões” e que as somas envolvidas eram de “centavos, não libras”. Ainda assim, admitiu: “Precisamos melhorar”.

Ontem, a Marks & Spencer tornou-se mais uma empresa a congelar sua publicidade no Google e YouTube, depois da revelação de que os anúncios da rede varejista britânica foram exibidos ao lado de vídeos defendendo o extremismo.

Grandes marcas, como a agência de publicidade Havas, a BBC, a Lloyds, a L’Oréal e a Audi, já tiraram seus anúncios do ar. Outras empresas, como a Sky, também estudam fazer o mesmo, após embaraços similares.

Michael Roth, CEO da Interpublic, um dos maiores grupos mundiais de publicidade, disse ontem que embora sua empresa ainda não tenha congelado os gastos com o Google, ameaçou fazê-lo se o grupo de tecnologia não agir rápido para solucionar o problema.

“Se eles não puderem solucionar isso, não vamos participar. Eles vão sofrer economicamente”, disse Roth, ao “Financial Times”. “Tomamos a decisão consciente de não congelar, mas falamos com eles sobre nossas preocupações e nos certificamos de que eles estão no processo de rever isso. Eles precisam colocar sistemas em funcionamento. Cabe a eles fazer isso. Se eles conseguiram crescer, enquanto empresa, de onde estavam para onde estão agora, então estou certo de que vão poder encontrar uma solução.”

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