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Gasoduto amplia cooperação Rússia-China

Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, supervisionaram ontem o lançamento de um gasoduto histórico que levará gás natural da Sibéria ao noroeste da China e dará impulso político e econômico para as relações entre Moscou e Pequim.
O início de operação do gasoduto Força da Sibéria reflete a tentativa de Moscou de se voltar para o Oriente, para atenuar o efeito das sanções financeiras ocidentais.
O projeto consolida a posição da China como maior mercado para as exportações russas. O gasoduto, de 3.000 km de extensão, levará gás do leste da Sibéria. É um empreendimento que deverá operar por 30 anos e gerar US$ 400 bilhões aos cofres russos.
“Este é um evento histórico não apenas para o mercado global de energia, mas, acima de tudo, para nós, para a Rússia e a China”, disse Putin. “Este passo leva a cooperação estratégica russo-chinesa na energia a um novo patamar qualitativo e nos aproxima de [cumprir] a meta (…) de elevar o comércio bilateral a US$ 200 bilhões até 2024.”
Também por vídeo, Xi disse a Putin que o novo gasoduto é “um projeto histórico de cooperação bilateral energética” e um “exemplo de profunda integração e cooperação mutuamente benéfica”.
O envio de gás pelo gasoduto vai aumentar gradualmente até chegar a 38 bilhões de m3 cúbicos por ano em 2025, possivelmente tornando a China o segundo maior comprador de gás Rússia, depois da Alemanha, que comprou 58,50 bilhões m3 de gás russo em 2018.
Nem Putin nem Xi falaram sobre o preço que Pequim deverá pagar pelo gás russo, tema altamente sigiloso. Várias fontes do setor dizem que ele está atrelado a uma cesta de produtos petrolíferos.
“O crescimento da demanda da China por gás deverá diminuir em relação a anos anteriores, mas continuará forte, com alta anual estimada em 10% nos primeiros nove meses de 2019”, disse Jean-Baptiste Dubreuil, da equipe de análise de gás natural da Agência Internacional de Energia (AIE).
Nos últimos dez anos, as vendas de petróleo russo à China deram um salto e, nos últimos meses, a Rússia disputou com a Arábia Saudita o posto de maior fornecedor.
Para isso, a Rússia construiu um importante oleoduto, que hoje envia 600 mil barris de petróleo por dia à China, e abriu um novo porto em Kozmino, no Oceano Pacífico. A Rússia também exporta à China 200 mil barris/dia por um oleoduto que cruza o Cazaquistão.
Finalmente, a venda de carvão russo ao Oriente em 2018 superou 100 milhões de toneladas, mais da metade do total exportado.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/12/03/gasoduto-amplia-cooperacao-russia-china.ghtml

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