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G-20: frustração com a economia global

A cúpula do G-20, espécie de diretório econômico do planeta, é marcada por pessimismo e frustração com o estado da economia global, o que sinaliza que nesse aspecto o Brasil terá pouco a esperar no futuro próximo.

O comunicado final dos líderes das maiores economias desenvolvidas e emergente considerou que a recuperação da economia global está avançando, mas que o crescimento continua a ser mais fraco do que desejável.

Os líderes consideram que os riscos permanecem altos por causa do potencial de volatilidade do mercado financeiro, flutuação dos preços das commodities, comércio e investimentos mundiais fracos, baixa produtividade, crescimento insuficiente do emprego. Tudo isso é agravado pelos desafios geopolíticos, mais fluxo de refugiados e terrorismo.

Esse diagnóstico, já feito pelos ministros de Finanças, foi reforçado com a preocupação expressa pelos líderes nos debates a portas fechadas sobre a percepção de crescente desigualdade na partilha dos frutos da globalização, como mostrou material do Valor Econômico, assinada por Assis Moreira, publicada em 05/09

Nesse cenário, os líderes vão aprovar um plano de políticas e ações, o Consenso de Hangzhou, que leve a mais inclusão, integração e abertura. “As escolhas que fazemos juntos vão determinar a eficácia de nossa resposta aos desafios de hoje e ajudar a moldar o economia mundial do futuro”.

A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, foi especialmente pessimista, apontando a dificuldade dos países em promover o crescimento.

Em seguida, porém, o presidente dos EUA, Barack Obama, reagiu, pedindo calma. Lembrou que desembarcou no G-20 em plena crise global, em 2008, quando a situação era muito pior. E insistiu que o cenário atual é bem melhor.

A chanceler alemã Angela Merkel ficou no meio-termo. Ela disse que podia-se ver a economia mundial “como um copo meio cheio ou meio vazio”.

Jacob Zuma, presidente da África do Sul, foi outro que lamentou a baixa dos preços das matérias primas. E disse que a Africa quer se industrializar. Os chineses disseram imediatamente que vão ajudar o continente.

Um dos momentos fortes da reunião fechada foi quando a nova premiê britânica Theresa May disse com entusiasmo que seu país será um campeão do livre comércio para se conectar com o mundo, ainda mais depois do voto favorável ao Brexit – saída do Reino Unido da União Europeia (UE).

O presidente da UE, Donald Tusk, pediu no G-20 uma solução global para o número sem precedentes de 65 milhões de refugiados em todo o mundo.

Houve momento em que alguns participantes reviraram os olhos, segundo relato de um deles, quando o presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o empoderamento das mulheres é importante para a economia turca – na linha contrária ao que se vê na prática.

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