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Francisco I: um papa para o mundo emergente?

Dois dias, cinco votações e uma decisão: dividir com outros cantos do mundo o eixo de sustentação da Igreja, concentrado há séculos na Europa. Porém, o uso do tempo em uma instituição com mais de dois mil anos é diferente. A escolha de um novo papa, oriundo da região com o maior número de católicos do planeta foi uma decisão construída ao longo dos últimos 20 anos. Foi este, exatamente, o sentido das primeiras palavras de Francisco I, em tom bem humorado: “Parece que meus irmãos cardeais foram buscá-lo quase no fim do mundo”.
A escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio é coerente com esse lento processo de mudança de eixo decisório na Igreja Católica. Em 2005, no conclave que escolheu Bento XVI, as votações indicam a importância do nome do Bergóglio: na primeira escolha, o então cardeal Ratzinger conseguiu 40 votos e Bergóglio 10. Porém, na segunda, o cardeal alemão avançou para 65 votos, dobrando sua base. Contudo, Bergoglio avançou para 35 votos, mais que triplicando a dele. Na terceira votação, foram 72 votos para Ratzinger (eram precisos 77 para definir a escolha do novo papa), mas Bergoglio também cresceu para 40 votos. Na quarta e última votação a escolha foi feita com 84 votos para o cardeal alemão. De certo modo, a escolha de ontem do cardeal argentino foi certa continuidade da “eleição” anterior. Nem os fieis ou os especialistas, os chamados vaticanistas, atentaram para este fato.
O cardeal argentino, agora papa Francisco I, é próximo ao movimento Comunhão e Liberdade , do qual também faz parte o cardeal italiano Angelo Scola, que era uma espécie de preferido do papa Bento XVI, como mostrou matéria do Estadão de hoje, pg,H17. O cardeal Bergóglio é jesuíta e a opção que fez pelo nome de Francisco evoca duas possibilidades, tanto a de Francisco de Assis, o santo da bondade e da proteção dos pobres, como o de Sãi Francisco Xavier, o santo da propagação da fé católica em pleno século XVI, em um canto mundo novo e hostil ao Ocidente. São Francisco Xavier foi missionário jesuíta primeiro em Goa e depois Filipinas, Indonésia e tentou a conquista da China. As bases lançadas pro Xavier garantiram a presença do catolicismo na Ásia até hoje. As Filipinas, por exemplo, é um dos maiores países católicos.
Os jesuítas, a ordem religiosa a que pertence Bergoglio, são conhecidos pelo forte preparo intelectual e professam três votos: pobreza, castidade e obediência aos superiores. O novo papa é conhecido pro suas firmes convicções tradicionalistas em relação às posições doutrinárias da Igreja.

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