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Facebook mantém plano de criar moeda digital

Mesmo assim, Zuckerberg prometeu abster-se de participar do lançamento da libra em qualquer lugar do mundo sem a aprovação dos reguladores americanos
O executivo-chefe do Facebook, Mark Zuckerberg, disse que a gigante das redes sociais continuará lutando com determinação pela concretização de seus planos de contribuir para criar uma rede de pagamentos baseada em criptomoeda. A intenção se contrapõe a solicitações de alguns parlamentares de que a empresa engavetasse o projeto até que o Congresso tenha oportunidade de examiná-lo em maior extensão.
Em depoimento perante a Comissão de Serviços Financeiros da Câmara dos Deputados, Zuckerberg defendeu a meta do Facebook de oferecer serviços financeiros a mais de 1 bilhão de consumidores do mundo inteiro por meio da libra, uma moeda digital criada para ser usada para comprar objetos on-line e off-line e para enviar dinheiro em território nacional e para o exterior, embora tenha reconhecido os riscos envolvidos no cumprimento desse objetivo.
“Eu realmente não sei se a libra vai funcionar”, disse Zuckerberg. Mesmo assim, prometeu abster-se de participar do lançamento da libra em qualquer lugar do mundo sem a aprovação dos reguladores americanos.
Desde que o Facebook anunciou sua visão para a libra, em junho, ao lado de um grupo de 27 outras empresas, os parlamentares e reguladores americanos manifestaram preocupações sobre seu efeito na estabilidade financeira e na privacidade de dados. Autoridades europeias tentaram suspender seu lançamento.
Essas críticas prosseguiram nesta quarta-feira (23), quando muitos membros do Partido Democrata e alguns membros do Partido Republicano dos Estados Unidos dinamitaram o projeto. Outros parlamentares republicanos elogiaram o Facebook por sua tentativa de inovar.
“Quando examinei os vários problemas do Facebook, cheguei à conclusão de que seria benéfico para todos se o Facebook se concentrasse em enfrentar suas muitas deficiências e falhas preexistentes antes de avançar no projeto da libra”, disse a deputada Maxine Waters (democrata da Califórnia), presidente da comissão.
O deputado Patrick McHenry (da Carolina do Norte), o principal republicano da comissão, disse ter “seus próprios receios com relação ao Facebook e à libra e às desvantagens do establishment das grandes empresas tecnológicas”. Mas, acrescentou, “supondo que a história nos ensinou alguma coisa, é melhor estar do lado da inovação americana”.
Zuckerberg também ouviu repreensões sobre a credibilidade do Facebook de um modo geral, que servem de base para muitas preocupações dos formuladores de políticas públicas de Washington em torno de sua incursão no setor de serviços financeiros. A empresa vem sendo duramente criticada pelo tratamento dado aos dados pessoais dos usuários e por sua participação na disseminação de desinformação.
“Vocês aprenderam que não devem mentir?”, perguntou a deputada Nydia Velazquez (democrata, de Nova York), apontando para uma multa paga pelo Facebook aos órgãos reguladores europeus, que acusaram a empresa de prestar informações enganosas sobre sua aquisição da divisão de mensagens WhatsApp. Zuckerberg disse discordar da caracterização feita por ela, mas acrescentou “entendo que temos de trabalhar para desenvolver a confiança nisso”.
Velazquez pediu a Zuckerberg que aguardasse o Congresso criar um novo marco regulatório para a libra antes de realizar qualquer avanço. Ele respondeu que o Congresso já tem supervisão dos reguladores com os quais o Facebook está trabalhando e que ele considera isso suficiente.
Não ficou claro a quais reguladores Zuckerberg se referia. A deputada Carolyn Maloney (democrata, de Nova York) perguntou a Zuckerberg se o Facebook obteria o beneplácito de órgãos como a Federal Deposit Insurance Corporation (FDIC), que supervisiona os bancos captadores de depósitos, e a Federal Housing Finance Agency, que fiscaliza as gigantes do crédito imobiliário Fannie Mae e Freddie Mac.
O “Wall Street Journal” tinha informado anteriormente que, antes de a libra ser anunciada pela primeira vez, os executivos do Facebook se reuniram com autoridades do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) e do Departamento do Tesouro e responderam a muitas perguntas afirmando que os detalhes seriam burilados posteriormente.
“Estamos trabalhando com todos os reguladores cuja alçada envolve parte do que estamos fazendo, e buscaremos a aprovação deles”, disse Zuckerberg.
O grupo de empresas reunido pelo Facebook para lançar a libra, a Associação Libra, perdeu 25% de seus membros originais, entre os quais a Visa, a Mastercard e a PayPal, desde o anúncio de junho. Essas empresas enfrentaram pressões dos reguladores e dos políticos para explicar como se poderia evitar que a libra fosse usada para lavar dinheiro ou financiar o terrorismo.
A deputada Ann Wagner (republicana, de Missouri) perguntou a Zuckerberg por que aquelas grandes empresas financeiras americanas abandonaram o projeto. “É um projeto de risco e tem havido muito monitoramento atento”, respondeu ele. “Sim”, disse Wagner, “é um projeto de risco”.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/10/23/facebook-mantm-plano-de-criar-moeda-digital.ghtml

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