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EUA e Japão acertam termos de acordo comercial

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, concordaram com as linhas gerais de um acordo comercial em sua segunda reunião ontem, à margem da cúpula do G-7, na França.
“Provavelmente iremos assinar” [o acordo] no período da reunião da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, no final do mês que vem, disse Trump.
Ele também disse que Abe concordou que o Japão comprará excedentes de estoques de milho dos EUA, devido a tensões comerciais com a China. Abe afirmou que a compra “potencial” seria tratada pelo setor privado.
“Grande Acordo Comercial apenas acertado com o primeiro-ministro Abe do Japão”, Trump tuitou mais tarde. “Será ótimo para nossos agricultores, fazendeiros e muito mais. Compra grande mesmo de milho!”
O acordo se segue a três dias de encontros na semana passada entre Toshimitsu Motegi, o principal negociador comercial japonês, e o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer.
O acordo “abrirá mercados para mais de US$ 7 bilhões” em produtos agrícolas americanos, afirmou Lighthizer depois da reunião entre Trump e Abe.
O Mercosul também discute a abertura de negociações comerciais com o Japão. Como os termos do acordo entre EUA e Japão ainda não são conhecidos, não está claro se ele poderá dificultar uma eventual negociação japonesa com o bloco sul- americano.
Se o Parlamento japonês aprová-lo na sessão de outono, o acordo comercial poderá entrar no final deste ano ainda ou no início de 2020. Mas ainda há riscos, incluindo a ameaça de que Trump adote contra o Japão tarifas punitivas como as impostas à China.
As negociações foram incomumente curtas, levando apenas cerca de um ano para um processo que costuma requerer muitos anos. Um acordo mais rápido era do interesse dos dois países.
Durante as negociações, Tóquio repetidamente pressionou Washington para acelerar o processo. Quanto mais tempo as negociações se arrastavam, maior o risco de que seu escopo pudesse se expandir para áreas nas quais os EUA tornariam as demandas inaceitáveis para o lado japonês.
Alguns em Washington estavam pressionando por cotas de importação de automóveis ou uma provisão cambial que impediria o Japão de fazer desvalorização competitiva. Tóquio trabalhou para manter as negociações num conjunto mais restrito de tópicos – tarifas sobre produtos agrícolas e industriais, além de regras para a economia digital.
Obter resultados rapidamente também era importante para Trump, já que as exportações agrícolas americanas estão caindo em meio aos atritos com a China. Buscando a reeleição em 2020, Trump provavelmente promoverá a abertura do mercado japonês como uma vitória para agricultores americanos em dificuldades, que formam uma parte significativa de sua base eleitoral.
As tarifas japonesas sobre carnes bovina e suína americanas seriam reduzidas para níveis acordados na Parceria Trans- Pacífico (TPP) antes que Trump retirasse os EUA desse pacto comercial multilateral. Isso permitiria aos exportadores americanos concorrer em igualdade de condições com a Austrália e outros membros da TPP.
O acordo também ocorre em meio a uma perspectiva cada vez mais sombria para a guerra comercial com EUA-China, que se agravou na sexta-feira com anúncios de novas tarifas dos dois lados. As reclamações do lado americano – que incluem acusações de roubo de propriedade intelectual, transferências forçadas de tecnologia, subsídios industriais maciços e riscos de segurança da fabricante de equipamentos de telecomunicações Huawei – são amplas e dificilmente serão resolvidas em breve.
O Japão provavelmente pareceu a Washington a opção mais promissora para obter um acordo comercial antes das eleições presidenciais americanas de 2020.
O acordo eliminaria as tarifas dos EUA de uma ampla gama de bens industriais. Nenhum acordo foi alcançado sobre a eliminação de impostos americanos sobre carros – um tema delicado para Trump, que se opôs ao desequilíbrio comercial nessa área. Os dois lados vão continuar discutindo a questão em conversas separadas.
Apesar dos progressos realizados, a incerteza perdura em Tóquio. “Tudo depende do Trump”, disse uma fonte familiarizada com as negociações. “Se ele mudar de ideia, isso vai perturbar as coisas que já foram acordadas.”
O Japão considera que o acordo comercial depende de Washington não restringir mais as importações de veículos japoneses, seja por meio de cotas numéricas ou por meio de tarifas adicionais impostas por motivos de segurança nacional. Espera-se que Abe busque uma promessa nesse sentido de Trump na reunião de setembro.
Questionado se Trump havia feito tal promessa, Motegi, que está na cúpula do G-7, disse que, embora não tenha havido “nenhuma discussão sobre isso” no domingo, o lado japonês expressou suas preocupações em conversas anteriores. Os EUA “respeitam” essa postura, disse ele.

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