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EUA e China divergem sobre trégua comercial

Enquanto o presidente Donald Trump alardeia o “maior acordo” a favor dos fazendeiros americanos, a China alerta que a compra de até US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos EUA depende da revogação das sobretaxas existentes contra seus produtos
EUA e China continuaram a emitir ontem sinais divergentes sobre o acordo comercial parcial anunciado na semana passada, que o presidente Donald Trump saudou como “o maior acordo já assinado” a favor dos fazendeiros americanos. Pequim, por sua vez, condicionou a compra de até US$ 50 bilhões em produtos agrícolas dos EUA à revogação das sobretaxas em vigor contra seus produtos.
O governo chinês está disposto a comprar mais produtos agrícolas dos EUA como parte da “fase um” do acordo comercial, mas, sob as condições atuais, essas importações não deverão alcançar os US$ 40 bilhões-US$ 50 bilhões alardeados por Trump, referindo-se às sobretaxas impostas pelos EUA a uma variedade de produtos chineses, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.
Essa condição mostra que as posições de Washington e Pequim continuam distantes e colocam em dúvida a possibilidade dos dois países assinarem a “fase um” do acordo no próximo mês, como deseja Trump, durante a cúpula dos países da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), no Chile. Segundo fontes, a China quer mais negociações para fechar os detalhes do acordo parcial até o fim deste mês.
O secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, disse à CNBC nesta semana que ele espera que as equipes técnicas dos dois países continuem trabalhando nas próximas semanas para finalizar os termos da “fase um”. Se isso não acontecer, os EUA vão impor uma nova rodada de sobretaxas a produtos chineses no dia 15 de dezembro, afirmou Mnuchin.
O Ministério das Relações Exteriores da China informou ontem que as companhias chinesas importaram dos EUA neste ano 20 milhões de toneladas de soja e 700 mil toneladas de carne suína, entre outros produtos agrícolas. Mas não deu indicações sobre compras futuras, limitando-se a informar que a China “continuará a comprar mais produtos agrícolas americanos”.

https://valor.globo.com/mundo/noticia/2019/10/16/eua-e-china-divergem-sobre-tregua-comercial.ghtml

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