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Em ano fraco, videogames salvam a Warner

É uma história tão improvável quanto a do menino que pode voar: a Warner Bros., o maior estúdio de Hollywood, atravessa uma recessão prolongada nas bilheterias, mas acumula grandes vitórias na indústria de videogames.

A reinterpretação da lenda “Peter Pan” teve uma estreia decepcionante nos cinemas, com o primeiro fim de semana nos Estados Unidos gerando US$ 15,5 milhões. E provavelmente seguirá a mesma rota da maioria dos filmes de orçamentos multimilionários da Warner este ano: vai acabar no vermelho. Orçado em pelo menos US$ 150 milhões, “Peter Pan” se une a outros megafracassos do estúdio, incluindo “O Destino de Júpiter” e “O Agente da U.N.C.L.E.”, além de outros projetos menores que também decepcionaram, como “Entourage – Fama e Amizade” e o filme de ação “Noites sem Fim”.

Duas exceções tiveram sucesso de público surpreendente no início do ano, “Sniper Americano” e o filme de desastre natural “Terremoto – a Falha de San Andreas”.

Apesar de ter lançado mais filmes que os outros cinco grandes estúdios de Hollywood, a Warner é responsável pela terceira maior bilheteria global, com US$ 3,2 bilhões até agora em 2015, e pode cair para a quarta colocação antes do fim do ano. Em busca dos melhores resultados, o estúdio da Time Warner há muito supera qualquer um dos rivais no total investido na produção e no marketing de seus filmes e, desde 2006, não terminou nenhum ano abaixo da segunda colocação no ranking de bilheteria, como mostrou matéria do The Wall Street Journal, assinada por Ben Fritz, publicada no Valor de 13/10, pg B11

Embora a Warner, uma empresa de 92 anos de história, esteja perdendo terreno na bilheteria este ano, sua divisão de videogames, de apenas 11 anos de idade, está superando editoras de jogos como a Electronic Arts Inc. e a Activision Blizzard Inc. num setor que elas praticamente criaram. O estúdio Warner Bros. Interactive Entertainment hoje ocupa a primeira posição no ranking de vendas de videogames, com uma participação no mercado americano de pouco mais de 20% até agosto, de acordo com dados da firma de pesquisa NPD Group.

Outros estúdios de Hollywood tentaram incursionar pelo negócio de videogames, mas nenhum deles investiu tanto quanto a Warner. Depois de ficar no 6º ou 7º lugares em vendas nos últimos anos, o estúdio saltou para o topo do ranking graças a grandes sucessos como “Batman: Arkham Knight” e o videogame de luta “Mortal Kombat X”, que venderam, cada um, 5 milhões de unidades em todo o mundo. O “Lego Jurassic World”, baseado no filme da rival Universal Pictures, vendeu cerca de 4 milhões de cópias.

De várias formas significativas, a Warner Interactive imitou a estratégia de negócios do estúdio de cinema, fazendo grandes investimentos na esperança de criar uma “franquia” que domine o mercado. Ela gastou centenas de milhões de dólares na compra dos estúdios que desenvolveram o “Arkham Knight”, o terceiro videogame da bem-sucedida franquia Batman, na série Mortal Kombat e na de jogos Lego, que transforma filmes populares como “Harry Potter”, “Os Vingadores” e “Guerra nas Estrelas” em mundos interativos atraentes para as crianças.

“Realmente sentimos que este ano é o ápice de uma série de investimentos que vínhamos fazendo há cerca de dez anos”, diz David Haddad, que dirige a unidade de videogames da Warner.

A Warner Interactive vai gerar US$ 1,5 bilhão em receita este ano, diz Haddad, valor recorde e provavelmente mais de 10% do total anual do estúdio.

Há poucas semanas, ela fez a maior aposta de sua história, com o lançamento de “Lego Dimensions”, jogo de “brinquedos que ganham vida” (toys-to-life, em inglês) semelhante a “Skylanders”, da Activision, que permite aos jogadores construir conjuntos Lego especiais, vendidos separadamente, que podem aparecer no videogame. Esses jogos de brinquedos que ganham vida normalmente custam mais de US$ 100 milhões para desenvolver, fabricar e lançar.

A entrada da Warner no negócio de videogames foi conduzida pelo ex-líder da divisão de entretenimento nos EUA, Kevin Tsujihara, que hoje é o diretor-presidente do estúdio. Desde que ascendeu ao cargo, em 2013, Tsujihara tem se mantido mais envolvido no negócio de cinema que seu predecessor, Barry Meyer, que em grande parte delegava o trabalho ao presidente da divisão cinematográfica. Tsujihara não escolheu ninguém para esse cargo e tem trabalhado em estreita colaboração com os chefes de produção, marketing e distribuição do estúdio para reconstruir a lista de franquias, depois da conclusão de séries recentes com enorme sucesso como “Batman – o Cavaleiro das Trevas”, “Harry Potter” e “O Hobbit”.

A Warner Bros. não é o único estúdio a registrar fracassos recentes de bilheteria. “A Travessia”, da Sony Pictures Entertainment, filme baseado numa história real sobre o homem corajoso que atravessou as Torres Gêmeas numa corda bamba e teve custo de produção de US$ 35 milhões, arrecadou apenas US$ 13,5 milhões internacionalmente até agora, já em sua segunda semana desde a estreia.

“Perdido em Marte”, o thriller de ficção científica dirigido por Ridley Scott, da Twentieth Century Fox, foi o campeão de bilheteria pelo segundo fim de semana seguido, arrecadando no mundo todo robustos US$ 228 milhões.

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