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Ciência de dados cresce na preferência dos estudantes

Assim como muitos profissionais ambiciosos no começo de suas carreiras, Maria Jimenez acreditava que acabaria precisando de um MBA se quisesse um cargo corporativo importante. Mas ela mudou de ideia depois de observar os colegas em seu primeiro emprego, no departamento de tecnologia da informação da Tecnoquimicas, uma empresa farmacêutica sediada em Bogotá, na Colômbia.
O departamento estava tomando decisões estratégicas para a empresa com
base em dados coletados em resultados médicos. Em uma equipe de mais de 100 funcionários, Jimenez era a única com graduação em administração. “O que eles precisavam era de alguém com cabeça de negócios que também pudesse falar a linguagem dos engenheiros de softwares”, diz Jimenez. Assim, ela abandonou seus planos de fazer um MBA e em vez disso escolheu um curso de pós-graduação em ciência de dados, como mostrou matéria do Financial Times, assinada por Jonathan Moules, publicada no Valor de 19/04.
Os cursos de especialização em ciência de dados estão em rápida expansão, graças ao entusiasmo com o potencial da análise de dados para os negócios e ao medo que profissionais sentem de ficar para trás. Nos Estados Unidos, onde as inscrições para o tradicional curso de MBA de dois anos vêm caindo há vários anos, os mestrados em análise de dados são um mercado em crescimento.
Setenta e quatro por cento dos cursos de big data nos Estados Unidos reportaram aumento na demanda no ano passado, em comparação a 32% dos programas de MBA de dois anos em tempo integral, segundo o Graduate Management Admission Council, organização que aplica o teste de admissão para escolas de negócios.
Uma em cada dez mulheres e 15% dos homens entrevistados no ano passado pela consultoria especializada em educação CarringtonCrisp para sua pesquisa global com futuros alunos de escolas de negócios disseram que os programas de big data e análise de dados para negócios eram suas principais opções de especialização.
Na pesquisa mais recente da CarringtonCrisp, entre os homens, o big data só perdeu em popularidade para finanças, subindo da 13a posição no levantamento anterior. Para as mulheres, a mudança vem ocorrendo na mesma direção, mas de uma maneira menos significativa, com o curso passando do 13o posto para o 8o e ficando atrás de administração, contabilidade, recursos humanos e psicologia.
A demanda pelos cursos de big data é motivada por um crescimento das oportunidades de emprego lucrativas anunciadas para pessoas com essas qualificações, segundo Andrew Crisp, cofundador da CarringtonCrisp. “A empresa de treinamento General Assembly, que oferece capacitações nessa área, sempre destaca em seus e-mails a falta de cientistas de dados qualificados em Londres”, diz Crisp. “Suspeito que a demanda vem simplesmente de os estudantes verem empregadores tentando recrutar pessoas com essas habilidades.”
Dados de 2015 mostram que, nos Estados Unidos, a remuneração anual média de cientistas de dados e analistas da área foi de US$ 94.576, segundo um relatório da PwC e do Business-Higher Education Forum que incluiu 48.347 empregos do tipo anunciados. Mais de um terço dessas ofertas exigia mestrado.
Jimenez se mudou para a França para se qualificar na área. Ela agora está na metade do curso de análise de big data na Iéseg School of Management, da Universidade de Lille. “Eu não percebi o dinamismo do mercado de trabalho para analistas de dados até eu começar a me candidatar para esses cargos”, diz ela, observando que muitas companhias estão em busca de funcionários com as habilidades que ela tem.
A anuidade do curso e as despesas para viver na França estão sendo pagas em parte por um empréstimo estudantil do governo colombiano. Se ela voltar para o país natal até três anos após sua formatura, metade do valor emprestado será convertido em bolsa de estudos.
Jimenez acredita que permanecerá na França, mesmo que isso signifique precisar quitar toda a sua dívida com o governo colombiano. Isso porque os empregos anunciados na França pagam muito bem. “O curso é um grande investimento, mas posso ver que ele vai se pagar rapidamente”, afirma ela.
A poucos quilômetros da Iéseg, no campus da HEC Paris, a primeira turma que busca o diploma duplo de mestre em ciência de dados aplicado aos negócios, junto com a Ecole Polytechnique, ainda não se formou. Mas as escolas já receberam mais de mil candidatos para a segunda turma, de 60 alunos. “Para um programa novo, esses números são realmente promissores”, diz Julien Manteau, diretor de estratégia e desenvolvimento global para programas de mestrado da HEC.
A Stern Business School, da Universidade de Nova York, tem um limite rígido de 70 alunos para a turma do mestrado em ciência de análises de dados de negócios. Roy Lee, diretor do programa, diz que se a turma fosse maior, os alunos que vêm da área de tecnologia se sentiriam menos confortáveis para compartilhar seu ponto de vista com os colegas de mentalidade mais voltada para os negócios.
Para ele, essa troca é crucial para o rompimento de barreiras entre as duas áreas. “A ideia é ter os dois lados para que eles compartilhem diferentes perspectivas”, afirma Lee. “Os alunos estão aprendendo uns com os outros sobre onde e como aplicar suas habilidades.”
Sarah Laouiti é aluna em período integral do mestrado em análise de negócios da Imperial College Business School, de Londres. Ela estudou gestão internacional durante a graduação, na Warwick Business School, mas não tinha certeza se sua qualificação seria suficiente para o mercado de trabalho. Ela acredita que até mesmo empregos em consultorias, que sempre pagaram muito bem, hoje estão sendo automatizados.
“Definitivamente me sinto melhor preparada para o mundo do trabalho com uma especialização em big data no meu currículo”, diz Laouiti. “Não sei quais empregos vão sobreviver no futuro, mas tenho certeza que serão aqueles que envolvem o uso de dados.”
Potenciais alunos precisam apresentar níveis parecidos de realizações acadêmicas independentemente de estarem se inscrevendo para mestrados na área de análise de dados ou para os tradicionais programas de MBA. Os caminhos se diferem nas especificidades da grade curricular do cursos.
Os estudantes de ciência de dados fazem disciplinas que ampliam suas habilidades quantitativas, como análise avançada de planilhas e aulas sobre os conceitos por trás de bancos de dados relacionais. Com frequência, essas matérias também incluem lições sobre como analisar o conteúdo das redes sociais e técnicas que as empresas usam para atribuir pontuações de crédito para clientes.
Os alunos dos programas de MBA podem abordar essas questões, mas o foco será na formação de habilidades de liderança e no entendimento dos negócios, geralmente fazendo uso de materiais de estudo de casos.

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