China reduz distância com os EUA na área de tecnologia

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O crescente investimento chinês em pesquisa e na expansão de seu sistema de educação superior significa que está diminuindo rapidamente a distância em relação aos EUA no campo de propriedade intelectual (PI) e na disputa pela primazia mundial em tecnologia, de acordo com especialistas.
Embora a ameaça de tarifas punitivas pelo presidente americano, Donald Trump, contra exportações de alta tecnologia dos EUA possa frear o ímpeto de Pequim, isso não vai reverter a tendência, segundo os especialistas.
As previsões sobre quanto tempo levará para Pequim eliminar a defasagem tecnológica variam – mas vários especialistas afirmam que isso poderá acontecer na próxima década. E a China já está na dianteira em algumas áreas, como mostrou matéria da Reuters, assinada por Marius Zaharia, publicada no Valor de 15/04
“Com o número de cientistas que a China está formando anualmente, [os chineses] acabarão alcançando [os americanos], independentemente do que os EUA fizerem”, disse David Shen, diretor de PI da Allen & Overy.
Advogados especializados em PI veem a promessa do presidente chinês Xi Jinping – manifesta no início desta semana, de proteger os direitos estrangeiros de PI – como uma projeção da confiança na posição da China como líder inovadora em setores como telecomunicações e pagamentos online, bem em como sua capacidade de eliminar o atraso em outras áreas.
Em 2017, a China passou à frente do Japão, assumindo o posto de segundo país do mundo com maior número de pedidos de patentes, um crescimento anual de 13,4%, segundo a Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI). Se mantido o ritmo, os chineses passarão à frente dos EUA em pouco mais de um ano, um forte indício de suas ambições.
Esse progresso foi construído sobre bases que provavelmente se fortalecerão ainda mais.
A China hoje gasta 2,1% de seu PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D), ainda não alcançando os 2,75% gastos pelos EUA, mas é um aumento notável, em comparação com apenas 0,7% nos anos 90 e aproximando-se da média de 2,35% entre os membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Mas números de patentes não contam toda a história. Há um déficit percebido de qualidade, o que sugere que a China levará mais tempo para recuperar o atraso.
Em 2016, a China produziu quase 500.000 artigos científicos, segundo a Elsevier, empresa de análise de informações, ocupando o segundo lugar em todo o mundo e aproximando-se dos 600.000 dos EUA. A distância caiu para a metade em cinco anos. No entanto, em média, um artigo chinês é alvo de 0,93 citação, contra 1,23 no caso de documentos americanos. Citações são uma indicação de quão valioso o trabalho de um pesquisador é considerado por seus colegas.
“[Os chineses] são muito bem-sucedidos no que estão fazendo em algumas grandes empresas, mas se você olhar além delas, eles não são particularmente inovadores”, diz Kennedy. “Mas não acho que isso vá durar muito tempo.”

http://www.valor.com.br/internacional/5454661/china-busca-reduzir-distancia-com-os-eua-na-area-de-tecnologia#

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