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Amazon ‘rouba’ visitantes de rivais

Mercado Livre e Americanas.com, controlada pela B2W, foram os sites no país que mais perderam visitantes desde que a Amazon tornou-se mais agressiva no mercado local, com lançamentos de novos serviços, mostram dados de relatório publicado ontem pelo BTG Pactual.
Além disso, em número de visitas mensais aos sites, a Amazon encostou no volume registrado pelo Magazine Luiza, e em determinado momento, passou a varejista brasileira neste ano.
Em março, a Amazon somou 33,5 milhões de visitas à sua página na internet. Em julho, seis meses após ampliar o total de itens vendidos no país de 200 mil para 320 mil, atingiu 47 milhões de visitas.
Em setembro, quando lançou o pacote de serviços Prime, com valor mensal de R$ 9,90, registrou 49,2 milhões de visitantes – 47% mais que no início do ano.
O Magazine Luiza somou 43,6 milhões de visitas em março, 50,7 milhões em julho e 47,7 milhões em setembro – número menor que o da Amazon.
Os dados estão em relatório da equipe de análise do BTG Pactual e são baseados em uma pesquisa da SimilarWeb, empresa de tecnologia da informação com sede nos EUA, que mede tráfego on-line.
Ao se analisar o peso de cada empresa no volume total de visitantes mensais, o Magazine Luiza perde participação em setembro, mas volta a ganhar em outubro.
Especialistas lembram que o número de visitantes é o principal termômetro de tráfego, mas o que determina resultado é a capacidade de conversão em vendas. Uma empresa pode ter queda em visitas, mas aumento de conversão, se vender mais produtos com preços e margens elevados. Em média, as taxas de conversão no Brasil não passam de 2% das visitas.
“Para ter conversão de visitas em venda, é preciso ter credibilidade e disponibilidade de produtos. E a Amazon ainda não tem o mesmo volume de itens à venda que Magalu, Americanas e Mercado Livre. Por isso, a Amazon ainda não deve ter a mesma taxa de conversão que as três possuem”, diz Gabriel Lima, CEO da consultoria eNext.
De qualquer forma, a importância do volume de tráfego está no aumento da percepção de força da marca entre consumidores, algo que a Amazon busca consolidar por aqui. “O que ela [Amazon] quer é ganho de relevância e isso vai de fato acontecer de forma gradual”, diz Lima.
“Os números mostram que a marca pode estar se tornando conhecida por novos públicos, apesar de entendermos que a Amazon ainda é um nome mais forte dentro de um grupo de consumidores mais qualificado”, diz Jean Rebetez, sócio-diretor da GS&Consult.
Em março, a Amazon anunciou a entrada na venda direta de 11 categorias de produtos; em setembro, informou a chegada do Amazon Prime; e em outubro, o lançamento da assistente de voz Alexa.
Segundo o relatório, em setembro, Mercado Livre e Americanas.com tiveram quedas no número de visitas. Em agosto, o Mercado Livre somou 286 milhões de visitantes e, em setembro, o volume recuou 6%. Em outubro, houve leve recuperação, para 273,8 milhões.
A Americanas.com somou 115 milhões de visitas em agosto, caindo para 109,5 milhões em setembro – retração de quase 5%. Em outubro, teve novo recuo para 99,6 milhões. O Submarino, do mesmo grupo controlador, foi um dos que mais ganhou visitantes de agosto a setembro, com alta de 35%. Fazem parte do levantamento onze sites.
O relatório do BTG também mostra que a Amazon quase empatou com a Casas Bahia, controlada pela Via Varejo, em número de visitas durante a Black Friday.

https://valor.globo.com/empresas/noticia/2019/12/06/amazon-rouba-visitantes-de-rivais.ghtml

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