Aliados serão mais afetados por protecionismo de Trump

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Donald Trump prometeu reiteradamente enfrentar a China e suas práticas comerciais. Mas, segundo um novo estudo, são os aliados dos Estados Unidos da Ásia e da Europa que deverão arcar com o ônus de uma nova onda de protecionismo americano, que promete ser a maior em décadas.
O estudo, divulgado ontem por um dos maiores especialistas em disputas de comércio exterior e protecionismo, foi lançado num momento em que o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, se apressa para entregar, em poucos dias, um plano que impõe novas restrições às importações de aço, sob a alegação de que a segurança nacional do país está em jogo.
A medida do aço tende a ser o ato protecionista mais significativo tomado por Trump desde que assumiu o cargo e será acompanhada de perto por aliados, como a Alemanha, que presidirá a cúpula do G-20 deste ano, marcada para o mês que vem em Hamburgo. Nesse encontro, prevê-se que a premiê Angela Merkel tentará de novo pressionar Trump a desistir do protecionismo, como mostrou artigo do Financial Times, assinado pro Shawn Donnan, publicado no valor de 13/06
A iniciativa referente ao aço é voltada em boa parte para conter a enxurrada de produtos baratos exportados pela China para os mercados mundiais. Produtores americanos responsabilizam essa importações pelo fechamento de siderúrgicas americanas. Mas a medida é apenas uma de uma série desde que Trump assumiu a presidência. Tramitam no sistema comercial americano medidas contra importações de alumínio, de aviões canadenses e de madeira serrada, além de painéis solares fotovoltaicos chineses, entre outros.
Juntas, elas representam potencialmente as maiores e mais amplas sanções comerciais adotadas pelos EUA desde o governo Reagan, na década de 1980, disse Chad Bown, ex-assessor de comércio exterior de Barack Obama e economista do Banco Mundial que é atualmente professor-visitante-sênior do Instituto Peterson de Economia Internacional.
Pelos seus cálculos, o percentual dos produtos importados pelos EUA cobertos por tarifas especiais tende a quase dobrar em relação aos 3,8% registrados antes de Trump assumir a Presidência, indo para 7,4%, com base nos processos abertos nos cem primeiros dias do governo Trump.
O percentual de produtos exportados pela China para os EUA atingidos por essas restrições deverá subir, de 9,2% para 10,9%. Mas o volume de produtos importados pelos EUA procedentes do resto do mundo e sujeitos a novas restrições deverá triplicar, de 2,2% para 6,4%, de acordo com Bown.
Entre os países que tendem a ser mais duramente atingidos estão Canadá, França, Alemanha, Índia, Japão e Coreia do Sul.
Os novos dados chamam a atenção para o poder que Trump ainda detém para pôr em prática sua agenda comercial “Os EUA em Primeiro Lugar”, no momento em que ele tenta se desvencilhar de um escândalo referente à suposta interferência da Rússia na eleição do ano passado e em que enfrenta dificuldades para avançar a reforma fiscal e outras no Congresso americano.
No passado, o governo dos EUA muitas vezes agiu como um freio a pedidos de proteção vindos de setores produtivos americanos. Mas o governo Trump é visto como fator de estímulo a ações antidumping e tem recuperado leis inativas que lhe permitem tomar novas medidas por iniciativa própria.
A investigação do aço e uma outra, semelhante, envolvendo o alumínio, foram lançadas baseadas em um lei de 1962 que permite que os presidente limitem a importação de produtos em nome da segurança nacional. A última vez em que uma investigação desse tipo chegou a ser lançada foi em 2001. Nenhum desses inquéritos resultou na imposição de restrições desde a década de 1980.
A siderurgia americana está pressionando o governo a adotar uma visão ampla de segurança nacional, argumentando que não poderá fornecer o aço necessário para navios de guerra e outros equipamentos militares enquanto suas outras linhas comerciais estiverem sendo lesadas pela inundação de aço barato chinês nos mercados mundiais.
Tanto Trump quanto Ross sinalizaram nos últimos dias a adoção de uma medida drástica.
“Esperem para ver o que eu vou fazer em favor do aço e das empresas de aço de vocês”, disse o presidente a uma plateia em Ohio na semana passada.

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