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Painel Flip-ESPM – Economia da Cultura no Brasil e seus setores Parte II

Anna Luiza Rodrigues de Freitas, Henrique Souza Prado, Pedro Corrales Furtado de Oliveira e Vítor Marsula – Alunos da ESPM/SP

Desde sua primeira edição, a feira conta com a participação e suporte de inúmeros parceiros e patrocinadores. Estes, em sua grande maioria, advém do setor privado – como por exemplo o jornal Folha de São Paulo, parceiro de mídia do evento desde 2004 – porém percebe-se que, invariavelmente, players do setor público apoiam a Festa todos os anos. Nesse espectro, observa-se a quase sempre presente Prefeitura de Paraty, que não está listada entre os parceiros da edição de 2004 apenas, bem como o apoio do Governo Estadual e Federal. Estes últimos se manifestam ora através do aparato governamental completo, ora através de ministérios específicos. Ao analisar- se essa movimentação, contata-se que inicialmente a FLIP era vista como um evento de natureza puramente cultural, para então passar a receber suporte do Ministério do Turismo e, em dado momento, contar inclusive com a APEX entre seus apoiadores. Essa parceria se deu no ano de 2011 (e mais uma vez em 2013), ao passo que no ano seguinte o Governo Federal anunciou na própria Festa um programa de incentivo à internacionalização da literatura brasileira.

Dessa maneira, percebe-se que o Governo Brasileiro deu início a uma possível política de investimento e fomento da projeção do país em âmbito global utilizando-se de meios culturais, tendo este começado com o apoio à FLIP e então avançado para um programa diferenciado. Ainda verifica-se o sempre presente apoio por parte de estatais, como a Petrobras, a CPFL, a Eletrobrás e a Eletrobrás Eletronuclear entre os parceiros recorrentes. Além do setor público nos três níveis (municipal, estadual e federal), percebe-se o grande envolvimento de instituições privadas no apoio à FLIP. Entre elas, encontram-se players recorrentes no incentivo à cena cultural brasileira, como por exemplo o Banco Itaú. Ademais, é possível constatar que, desde a primeira edição, a FLIP recebeu a atenção e suporte de órgãos estrangeiros ligados à literatura e disseminação cultural. Essa tendência mostrou-se poderosa, visto que em nenhuma edição a feira não contou com pelo menos um parceiro internacional.

5. PRESENÇA INTERNACIONAL E POTENCIAL DE INTERNACIONALIZAÇÃO

A FLIP mostrou-se, desde o início, como um acontecimento cultural interessante para órgãos estrangeiros que tratam do tema. Em sua primeira edição, nota-se entre os parceiros a British Council, que é uma organização internacional do Reino Unido com a missão de desenvolver projetos de cooperação em áreas como cultura, educação, artes e esporte, bem como consulados e órgãos governamentais em cujo escopo de atuação encontram-se temas relacionados à cultura. Com a realização de diversas edições, o número de parceiros dessa natureza aumentou, sempre com a predominância de parceiros originários de países de línguas neolatinas. No entanto, em se tratando dos autores convidados nota-se imensa variedade, com nomes das mais diversas nacionalidades.

É interessante notar que a FLIP hoje é considerada como um importante aparato em se tratando do Turismo Cultural na cidade de Paraty. Possuidora de inúmeros atrativos de natureza histórica, arquitetônica, entre outros, grande foi a visibilidade recebida pela cidade em âmbito global após o surgimento da Festa. Hoje, tendo como inspiração o modelo da FLIP, organiza-se o FlipSide na Inglaterra. Esse evento, idealizado por uma das criadoras do original, tem como objetivo a disseminação da cultura brasileira em geral e que conta com o apoio do Governo Federal. Essa é a primeira tentativa de realização de uma feira literária no exterior focada na produção brasileira, e terá sua segunda edição nos dias 3, 4 e 5 de outubro de 2014.

Como pôde-se observar, o modelo de Festa Literária com foco na disseminação da produção brasileira foi bem recebido no Reino Unido. Com o crescente interesse global pelo Brasil, em decorrência da posição econômica do país, bem como de inúmeros outros atrativos em termos histórico-culturais e naturais, a produção cultural, na qual encontra-se incluída a literatura, poderia ser melhor aproveitada em termos de ativo estratégico para retorno financeiro e de marca país. Portanto, o potencial de internacionalização do modelo da FLIP, de maneira semelhante ao primeiro experimento no Reino Unido, é considerado alto, principalmente quando engloba-se diversos temas ligados à cultura brasileira em uma espécie de experiência multifacetada de contato cultural com o país.

6. CONCLUSÃO

A Festa Literária Internacional de Paraty é uma iniciativa relativamente recente. A primeira edição do evento ocorreu no ano de 2003, mas mesmo com o início das atividades neste período recente, o festival já se mostra como um grande evento brasileiro com alta capacidade de repercussão internacional.

O modelo do evento é grandemente admirado e replicado na medida do possível por muitos outros festivais literários ao redor do mundo, como podemos perceber com o modelo replicado no Reino Unido. Além disso, ficou clara a alta movimentação de capital de caráter tanto financeiro quanto humano que a FLIP traz para a cidade de Paraty, ajudando na melhoria de infraestrutura, arrecadação de dinheiro com turismo, e um engajamento maior da população com a cultura literária.

Foi identificado também o alto envolvimento de órgãos públicos na organização do evento, o que facilita a FLIP de se voltar para o cenário internacional de uma maneira mais clara e concisa. O evento em si se torna então um importante ativo da cidade para atração de turistas estrangeiros, divulgação da literatura e cultura brasileira para o próprio Brasil, assim como para o exterior. Dessa maneira, a FLIP pode ser caracterizada por fazer parte de um circuito global de festivais de literatura, uma vez que sua influência em países do exterior já é grande e vem aumentando com o tempo e com novas experiências. Um exemplo disso são as reproduções do evento de maneira semelhante em nível internacional, assim como a presença de grandes nomes da literatura mundial em edições da FLIP, como é o caso de Eric Hobsbawm, que foi um grande historiador inglês presente na primeira edição da Festa Literária Internacional de Paraty.

7. REFERÊNCIAS
 Associação Casa Azul. Informações sobre a estrutura do evento. Disponível em:

<http://www.casaazul.org.br/> Acesso em 1 de junho de 2014.

Biblioteca da Casa Civil. (2013). O Brasil não é conhecido por sua literatura no resto do mundo. Disponível em: <http://www.casacivil.sp.gov.br/biblioteca- ccivil/noticias/MostraNoti.asp?par=1954> Acesso em 30 de maio de 2014.

FLIP. (2013). Relatório FLIP 2013. Disponível em: <http://www.flip.org.br/upimages/relatorio_pos_evento_flip_2013_web.pdf> Acesso em 30 de maio de 2014. Paraty: Ministério da Cultura; Governo do Rio de Janeiro; Associação Casa Azul.

FLIPSIDE. A Family Festival With a Brazilian Beat. Disponível em: <http://www.flipsidefestival.co.uk/default.aspx> Acesso em 2 de junho de 2014.

IBGE. (2010). Censo 2010. Disponível em:_________________ <http://www.censo2010.ibge.gov.br/sinopse/webservice/frm_pr_hom_mul.php?codig o=330380> Acesso em 30 de maio de 2014. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Portal Brasil. (2012). Governo lança na FLIP programas para internacionalizar literatura brasileira. Disponível em:____________________________ <http://www.brasil.gov.br/cultura/2012/07/governo-lanca-na-flip-programas-para- internacionalizar-literatura-brasileira> Acesso em 1 de junho de 2014.

Revista Pessoa. Feiras Literárias – Países Lusófonos. Disponível em: <http://www.revistapessoa.com/wp-content/uploads/feiras-literarias/> Acesso em 29 de maio de 2014.

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